Além da Sapucaí: mestre-sala que cursa medicina e mestre de bateria taxista contam como equilibram duas rotinas
12/02/2026
(Foto: Reprodução) Sambistas do carnaval do Rio tem profissões paralelas que o povo não sabe
Fantasias luxuosas, coreografias ensaiadas à exaustão e o som potente das baterias transformam a Sapucaí em espetáculo. Mas, fora dos desfiles, muitos dos nomes das escolas de samba vivem uma rotina bem diferente — longe do glamour.
É o caso de Marlon Lamar que, longe do hospital, deixa o jaleco e troca as vestes para ocupar outro lugar de destaque: o de primeiro mestre-sala da Portela, a maior campeã do carnaval do Rio.
No último ano do curso de medicina, Marlon divide o tempo entre livros, plantões, ensaios e viagens. A faculdade é em São Paulo, mas os compromissos com a escola são no Rio. A ponte aérea virou parte da rotina.
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“Olha, acho que a palavra que resume é organização. É você ter cada dia programado, cada dia milimetricamente planejado. E a gente vai seguindo. Nisso se passaram 6 anos", conta.
É o amor que nos move, é o amor que me moveu nas noites não dormidas, nos plantões de 24 horas, nas viagens de idas e vindas. O amor pela Portela, pelo carnaval, é o que me sustenta”, acrescenta.
Entre provas e estágios, ele encontra tempo para ensaiar giros e coreografias. Para Marlon, o sonho de ser médico e o amor pelo samba caminham juntos — ambos exigem disciplina, entrega e paixão.
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Marlon Lamar, estudante de Medicina e primeiro mestre-sala da Portela
Reprodução/TV Globo
Já Luiz Calixto, conhecido como Mestre Casagrande, é uma das referências da bateria da Unidos da Tijuca. Há 18 anos à frente dos ritmistas, ele conduz a “Pura Cadência” com pulso firme na Sapucaí.
“É aqui nas ruas do Rio que eu ganho a minha vida, aqui que é minha luta. Mas é na Unidos da Tijuca que eu tenho maior prazer”, diz.
Taxista de profissão, Casagrande transforma o carro também em espaço de criação. Muitas ideias que ecoam na Avenida surgem no trânsito da cidade.
“Uma das bossas que eu tenho esse ano pra bateria, a bossa da liberdade, do punho cerrado, saiu daqui”, revela.
A rotina se intensifica à medida que o desfile se aproxima. Ele participa de todas as etapas: afinação dos instrumentos na quadra, reuniões e ajustes no barracão, entrega de fantasias e até apoio emocional aos ritmistas.
“No dia primeiro de janeiro eu paro, me dedico só à escola. E volto pro táxi só depois de março. Dá pra rodar direitinho dia sim, dia não, mas sempre resolvendo as coisas da bateria. Aqui é minha casa, meu chão. É o que eu gosto de fazer. Sou taxista de profissão, mas sambista por devoção.”
Luiz “Casagrande” Taxista e mestre de bateria da Unidos da Tijuca
Reprodução/TV Globo