Alunos de escola pública ganham prêmio nacional de robótica ao criar sistema com IA para analisar qualidade da água

  • 28/05/2026
(Foto: Reprodução)
Alunos de escola estadual do noroeste de SP são destaque em competição nacional No laboratório de robótica de uma escola estadual do noroeste de São Paulo nasceu um projeto que mistura análise da qualidade da água com a inteligência artificial, e que foi o segundo mais premiado do país durante a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada na Universidade de São Paulo (USP). Dentro da Escola Estadual Professora Maria das Dores Ferreira Rocha, em Santa Rita d'Oeste (SP), fios, peças impressas em 3D, microscópios adaptados e computadores dividem espaço com sonhos que parecem grandes demais para estudantes de 14 anos, mas que chamaram a atenção de especialistas em ciência e engenharia. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Batizado de "AquaLab IA”, o sistema desenvolvido pelos alunos Daniel Ponzani Fernandes, Raynan Vitor Garrio e Tiago Murilo Marques Dias combina robótica, microscopia e inteligência artificial. Os estudantes Raynan Garrio, Daniel Fernandes e Tiago Marques Dias, da escola estadual Maria das Dores Ferreira Rocha, de Santa Rita d'Oeste (SP) TV TEM/Reprodução Na feira realizada na USP, o trabalho foi premiado também como o destaque do Estado de São Paulo. Além disso, o AquaLab IA garantiu vaga para mais uma competição nacional: a Feira Brasileira de Iniciação Científica (Febic), prevista para setembro, em Santa Catarina. Por trás das medalhas e troféus, no entanto, existe uma história que mistura curiosidade científica, preocupação ambiental e transformação pela educação. Projeto dos estudantes de laboratório de robótica de escola estadual em Santa Rita d'Oeste (SP) foi o segundo mais premiado no país na Febrace, tradicional feira de ciências e engenharia TV TEM/Reprodução Engenharia e ciência O equipamento criado pelos estudantes de Santa Rita d'Oeste funciona como uma espécie de laboratório portátil. Uma amostra de água é colocada no sistema, que utiliza um microscópio adaptado com webcam para captar imagens microscópicas. “Somos sempre incentivados nas aulas a usar engenharia e ciência para ajudar as pessoas. A gente descobriu que a poluição da água afeta o mundo inteiro. Daí surgiu a ideia de criar um projeto para analisar a qualidade da água”, conta Raynan, aluno do 9º ano, à TV TEM. Essas imagens são enviadas a um software treinado com inteligência artificial, responsável por interpretar os dados e apontar possíveis alterações na água. Em poucos segundos, o computador apresenta os resultados. AquaLab IA, sistema de análise da qualidade de água, que mistura robótica com inteligência artificial, foi desenvolvido por estudantes de escola pública do interior de SP e premiado em feira nacional de ciências e engenheria TV TEM/Reprodução Diversas análises Segundo o professor de robótica Edson Antonio Henrique, orientador do grupo, o diferencial está na capacidade de reunir diversas análises em um único sistema, algo que normalmente exige equipamentos caros e separados. O projeto analisa dez parâmetros da qualidade da água. O primeiro módulo verifica microscopia, pH, turbidez e sólidos dissolvidos. O segundo é sobre DBO (demanda bioquímica de oxigênio) e o terceiro está relacionado aos coliformes fecais e E. coli, conforme explica o professor. Mais do que inovação tecnológica, o educador destaca o impacto social da proposta. Segundo ele, o sistema foi pensado para ser acessível. Estudante Rayan Garrio, de Santa Rita d'Oeste (SP) demonstra o funcionamento do sistema AquaLab IA, que mistura robótica com IA para analisar a qualidade da água TV TEM/Reprodução O professor destaca que existem equipamentos no mercado que fazem análises deste tipo, mas não com todos os parâmetros ao mesmo tempo. Outra vantagem do projeto dos alunos é o custo reduzido: entre 2% e 3% do valor de outros aparelhos. “O que também chamou atenção na feira foi a idade deles. São jovens de 14 anos desenvolvendo um projeto com tecnologia avançada e usando IA”, destaca à TV TEM. Qualidade da água A ideia ganhou ainda mais relevância conforme os estudantes passaram a pesquisar problemas ambientais em cidades da região noroeste. Nos últimos meses, imagens de rios cobertos por água esverdeada e episódios de mortandade de peixes se tornaram frequentes em afluentes do Rio Tietê. Um dos casos mais recente ocorreu no Ribeirão São Jerônimo, em Zacarias (SP), que ficou coberto por uma crosta verde. Foi durante essas pesquisas que Tiago percebeu que o AquaLab IA poderia ajudar a compreender as causas desse fenômeno. “A gente pode saber se tem uma carga orgânica muito grande na água e isso ajuda a prevenir desastres, como a morte de peixes, que acontece quando o oxigênio fica muito baixo”, explica Tiago. No laboratório da escola, cada estudante assumiu uma função específica no desenvolvimento do projeto. Raynan ficou responsável pelas peças utilizadas na estrutura física do equipamento. Outros integrantes atuaram na programação do sistema e na análise dos dados. Tudo começou a partir das aulas de ciências e cresceu dentro do projeto de robótica da unidade. O ambiente já se tornou referência na região. LEIA MAIS: Urutau visita sacada de apartamento e encanta morador Bancos de leite ajudam bebês prematuros e acolhem mães no noroeste de SP Idosa faz crochê durante diálise e doa peças a pacientes e funcionários de hospital Premiações Há mais de dez anos, o laboratório da escola acumula premiações em feiras nacionais e internacionais. O espaço virou uma espécie de celeiro de jovens pesquisadores, especialmente na cidade do interior, onde oportunidades ligadas à ciência nem sempre chegam com facilidade. Entre os exemplos está a universitária Ana Elisa Brechane da Silva, considerada a grande medalhista do projeto. Ana Elisa Brechane da Silva entrou para o curso de Engenheria da Unesp depois de receber prêmios por projetos criados no laboratório de robótica de escola estadual em Santa Rita d'Oeste (SP) TV TEM/Reprodução Ex-aluna da escola, ela participou da mesma feira em que os meninos foram premiados e chegou a apresentar trabalhos em cidades como Los Angeles e Atlanta, nos Estados Unidos. Durante a aula de robótica, Ana Elisa criou o protótipo intitulado “ConnectBreathe” (conectar e respirar), que pode diagnosticar e apoiar o tratamento de asma, bronquite e outras doenças respiratórias. Atualmente, ela cursa Engenharia Elétrica na Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Foram 12 prêmios recebidos pela robótica da escola. Eu participo desse projeto desde o sexto ano. Uma vez que a gente faz parte da robótica, ela nunca sai do nosso coração”, diz a universitária. Ana afirma que pretende manter viva a experiência iniciada ainda na escola pública. “Quero seguir esse legado na faculdade. Desenvolver projetos que ajudam as pessoas através da tecnologia e da ciência”, ressalta. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/05/28/alunos-de-escola-publica-ganham-premio-nacional-de-robotica-ao-criar-sistema-com-ia-para-analisar-qualidade-da-agua.ghtml


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