Amigas da PM Gisele relatam que tenente-coronel era ciumento e perseguia esposa; oficial é julgado em processo que pode expulsá-lo

  • 05/05/2026
(Foto: Reprodução)
Tenente-coronel Geraldo Neto é levado para presídio militar Romão Gomes Quatro testemunhas que já haviam relatado à Polícia Civil episódios de controle, ciúmes e estranhamento da cena da morte da soldado Gisele Alves serão ouvidas agora pelo Conselho de Justificação (CJ) da Polícia Militar (PM). Os depoimentos fazem parte do processo administrativo que pode resultar na expulsão do tenente‑coronel Geraldo Leite Rosa Neto da corporação. Novas audiências de instrução estão marcadas para os dias 11 e 14 de maio, segundo o Diário Oficial do Estado. De acordo com o Ministério Público (MP), Gisele foi morta pelo marido, o tenente-coronel Neto, com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, dentro do apartamento no Brás, região central de São Paulo, onde o casal vivia. O oficial responde preso ao Conselho de Justificação, procedimento interno da PM instaurado em abril e que ocorre de forma independente do processo criminal. Ainda não há confirmação sobre quando Geraldo Neto será ouvido. O CJ avalia e julga se um oficial reúne condições morais e funcionais para permanecer na corporação. Entre as testemunhas que serão ouvidas estão um policial militar que foi o primeiro a chegar ao local do crime e três agentes da PM que eram amigas próximas de Gisele e já haviam prestado depoimento durante a investigação criminal. No dia 11 de maio, às 9h, será ouvida uma soldado; às 11h, um primeiro‑tenente. Já no dia 14 de maio, às 9h, está prevista a oitiva de uma subtenente e, às 11h, de uma cabo. Relatos de controle e medo O tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa, a PM Gisele Alves Santana. Reprodução/Redes Sociais Em depoimento, uma soldado que conheceu Gisele na Escola de Soldados em 2014 e trabalhava com ela desde 2022 afirmou que o tenente‑coronel controlava as redes sociais e os aplicativos de mensagens da esposa, se escalava nas mesmas atividades profissionais para vigiá‑la e a impedia de usar maquiagem e perfume em casa — motivo pelo qual, segundo ela, Gisele se maquiava apenas no trabalho. A policial relatou ainda que o oficial espionava conversas da esposa, chegando a se esconder “atrás de pilastras”, e que Gisele confidenciou que a filha demonstrava medo do pai, tendo perdido peso e apresentado episódios de xixi na cama. Segundo a testemunha, Gisele dizia que pretendia se divorciar e se reorganizar financeiramente. Em um casamento de uma colega, chegou a comentar que o marido estava armado e disse que “ele era louco”. Ainda de acordo com o depoimento, Gisele afirmou que “o dia que acontecesse alguma coisa, Geraldo Neto a mataria” e que iria “para o tudo ou nada”. 'Qualquer hora me mata': PM que morreu com tiro na cabeça se queixou de ciúmes de tenente-coronel em mensagem A soldado declarou à polícia que Gisele “jamais apresentou qualquer conduta indicativa de vontade de tirar a vida” e que era “uma mãe espetacular muito preocupada com a filha”. Presença constante e comportamento possessivo Corregedoria prende tenente-coronel da PM acusado de matar esposa e simular suicídio Uma sargento que mantinha amizade próxima com Gisele confirmou à investigação a presença constante e excessiva do tenente‑coronel no local de trabalho da esposa. Segundo o depoimento, ele aparecia “quase todos os dias, sempre ia buscá‑la, ficava na porta da seção observando”. A sargento afirmou que Gisele ficava tensa na presença do marido e que, nos últimos seis meses, se queixava de brigas, ciúmes e possessividade, embora nunca tenha relatado agressões físicas. Ela declarou ainda que Gisele dizia que, se confirmasse uma traição, “pegaria suas coisas e iria embora” e que tinha condições de criar a filha sozinha. A sargento afirmou que, em quatro anos de convivência, Gisele “jamais mencionou atentar contra a própria vida”. A testemunha também relatou que, um dia após a morte da soldado, Geraldo Neto ligou para o departamento pedindo seu número de telefone — pedido que não foi atendido — e que ele não compareceu ao velório nem ao enterro, apesar de, segundo ela, nunca se separar da esposa em vida. Episódios de vigilância e perseguição PM Gisele foi baleada e morta pelo marido, tenente-coronel Neto, segundo o MP. Oficial está detido há mais de um mês no Presídio Militar Romão Gomes (ao centro). Reprodução Uma cabo afirmou à polícia que o tenente‑coronel frequentava quase diariamente o departamento onde Gisele trabalhava, ficava na porta observando a rotina da seção e escutava conversas. Em uma ocasião, segundo o depoimento, ele chegou a se esconder “atrás de uma pilastra” para espioná‑la. A policial relatou que, após esse episódio, Gisele pediu que o marido aguardasse na recepção e não entrasse mais na seção. A cabo também confirmou episódios de controle das atividades profissionais da esposa e afirmou que o oficial perseguiu uma sargento que elogiou a aparência de Gisele, precisando ser contido fisicamente. Ela disse ainda que, desde setembro de 2025, Gisele falava em divórcio após saber de um possível relacionamento extraconjugal de Geraldo Neto e que, ao longo de mais de uma década de convivência, “nunca demonstrou tendência suicida”. Cena do crime causou estranhamento Os detalhes que transformaram o tenente-coronel em réu pelo feminicídio da PM Gisele Alves Um primeiro‑tenente que afirmou ter sido o primeiro policial militar a chegar ao local do crime declarou à Polícia Civil que estranhou a cena encontrada no apartamento. Segundo o depoimento, Gisele estava caída ao solo, com a arma ainda sobre a perna, e não havia cartuchos visíveis no local. Ele relatou que socorristas informaram que o disparo entrou pelo lado direito da têmpora. Apesar de já ter atendido ocorrências semelhantes, afirmou que “estranhou esta ocorrência em específico, pois o local estava mais preservado que o de costume numa situação dessas”. O policial também relatou que o tenente‑coronel passou boa parte do tempo ao telefone, tentou tomar banho após a retirada da vítima — mesmo orientado a não fazê‑lo. E que, embora tenha ido ao Hospital das Clínicas (HC), com a alegação de que queria saber o estado de saúde de Gisele, permaneceu no estacionamento durante todo o período, segundo relatos de outros PMs. O que é o Conselho de Justificação Depoimentos dos socorristas que atenderam a ocorrência envolvendo a PM Gisele Alves, em 18 de fevereiro de 2026. Reprodução/TV Globo O Conselho de Justificação foi instaurado por resolução do secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, publicada no Diário Oficial em 31 de março. A equipe de reportagem não conseguiu contato com as testemunhas. Procurada pelo g1, a defesa do tenente‑coronel informou que não irá comentar o assunto. No dia 29 de abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a Justiça comum deverá julgar, se necessário, o tenente‑coronel pelo assassinato da esposa. Geraldo Neto é réu por feminicídio e fraude processual. Ele tem 53 anos; Gisele tinha 32 e deixou uma filha de 7 anos, de um relacionamento anterior. O oficial está preso preventivamente desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital. Segundo o MP, Gisele queria se separar e o marido não aceitava o fim do relacionamento. A acusação sustenta que ele matou a esposa e tentou simular um suicídio. A defesa nega o crime e afirma que a soldado tirou a própria vida. No entanto, laudos periciais e investigações da Polícia Civil e do MP indicam que ele teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena do crime. Mensagens extraídas do celular do tenente‑coronel apontam, segundo o MP, um padrão de controle e violência doméstica. Em alguns trechos, ele se autodenominava “macho alfa” e exigia que a esposa se comportasse como uma “fêmea beta”. Vídeos gravados pelas câmeras corporais dos PMs que atenderam à ocorrência também colocaram em xeque a versão de suicídio apresentada por Neto. Se condenado, a Justiça pode fixar indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima. No presídio, o oficial cumpre regime fechado, permanecendo cerca de 22 horas por dia em cela dividida com outros três policiais militares, além de ter direito a banho de sol diário e refeições regulares, segundo a Polícia Militar. O Conselho de Justificação é formado por três coronéis da PM. Caso o colegiado conclua que o oficial é incompatível com a carreira, o processo pode resultar na perda do posto e da patente. O julgamento administrativo ocorre independentemente da ação penal. Mesmo sem condenação criminal, um oficial pode ser expulso da corporação. Em 2 de abril, a PM aposentou Neto. Mesmo aposentado, ele segue recebendo salário — que, em fevereiro de 2026, antes da prisão, foi de R$ 28,9 mil brutos, segundo o Portal da Transparência do governo paulista. Caso seja expulso pelo Conselho de Justificação, ele poderá perder esse benefício.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/05/amigas-da-pm-gisele-relatam-que-tenente-coronel-era-ciumento-e-perseguia-esposa-oficial-e-julgado-em-processo-que-pode-expulsa-lo.ghtml


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