Bebê de 8 meses morre após idas e vindas a unidades de saúde, e família suspeita de negligência médica

  • 21/10/2026
(Foto: Reprodução)
A bebê Anna Laura Insarralde de Araujo, de 8 meses, morreu após passar por três unidades de saúde em Campo Grande Arquivo pessoal A família da bebê Anna Laura Insarralde de Araujo, de 8 meses, procurou a polícia para denunciar uma suspeita de negligência médica após a morte da criança, em Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, a bebê passou por três unidades de saúde antes de morrer: a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Universitário, o Hospital do Câncer e o Hospital Regional. De acordo com o relato da mãe, Ana Maria Morel Insarralde, a criança apresentou febre e vômitos e foi atendida inicialmente na UPA Universitário. Depois, foi transferida para o Hospital do Câncer, onde recebeu medicação e teve uma piora no quadro clínico. Em seguida, foi encaminhada ao Hospital Regional, onde foi intubada e levada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp No boletim de ocorrência, a mãe relatou suspeitas de negligência durante o atendimento, incluindo problemas na administração de medicamentos, falta de oxigênio e falta de assistência à criança. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e com a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), mas não obteve retorno até o momento da publicação. Agora no g1 O Hospital de Câncer Alfredo Abrão (HCAA) afirmou, em nota, que recebe pacientes através do Sistema de Regulação, e que a criança foi internada em 10 de outubro, às 15h05, na Ala de Pediatria Clínica não oncológica, criada em parceria com a Prefeitura para ampliar a oferta de leitos infantis. Segundo o hospital, todos os atendimentos necessários foram prestados e, diante da evolução do quadro clínico, a transferência para o Hospital Regional foi solicitada às 17h20 e realizada por volta das 18h, para continuidade do tratamento em uma UTI pediátrica. A unidade esclarece que dispõe de 24 leitos pediátricos clínicos, mas não possui UTI infantil. Família questiona diagnóstico e relata falhas no atendimento Segundo Ana Maria, os exames realizados na bebê indicavam uma infecção, e não câncer. A família afirmou que pretende recorrer à Justiça para apurar as circunstâncias da morte. "Estamos em choque, ainda não acreditamos, e estamos revoltados também", afirmou a mãe. A Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul (Avem/MS) informou que pretende reunir os prontuários médicos para tomar as medidas judiciais cabíveis. Segundo a mãe, Anna Laura foi levada à UPA Universitário em 7 de outubro, quando recebeu prescrição de medicamentos. Na ocasião, um exame de raio-X apontou uma mancha no pulmão, mas a criança foi liberada. No dia 10 de outubro, a família voltou à unidade. A bebê apresentava febre alta, vômitos e diarreia, sem melhora após o uso dos medicamentos. Após a administração de novas medicações e a realização de exames laboratoriais, a criança foi transferida para o Hospital do Câncer. Ainda conforme o relato da mãe, durante a transferência, a médica responsável informou que os exames da bebê haviam sido extraviados. Ana Maria, porém, afirmou que os exames tinham sido realizados e que a família teve acesso aos resultados após a morte da criança. Ao chegar ao Hospital do Câncer, a bebê estava sonolenta e recebia oxigênio, segundo a mãe. Ela relatou que, após a administração de um medicamento, a boca da criança ficou amarelada, com pontos escuros. A mãe procurou uma enfermeira, que acionou um médico. De acordo com o relato, o profissional suspendeu a medicação e informou que a bebê precisava ser transferida para um hospital com UTI, pois o quadro era grave e a unidade não dispunha da estrutura necessária para atendê-la. Mãe relata problemas com o oxigênio no Hospital Regional A bebê foi encaminhada ao Hospital Regional e chegou à unidade por volta das 18h30. Segundo a mãe, a criança foi levada à sala vermelha, onde foi intubada, mas não apresentou melhora. Depois, o médico informou que ela seria encaminhada ao centro cirúrgico para a colocação de um acesso e a realização de uma drenagem. Ainda conforme o relato, durante o deslocamento para o centro cirúrgico, a equipe retirou o equipamento de oxigênio para conectá-lo a outra máquina, mas não conseguiu colocá-la em funcionamento naquele momento. A criança permaneceu intubada e, segundo a mãe, ficou temporariamente sem o fornecimento de oxigênio. A equipe teria recorrido à ventilação manual e, posteriormente, conseguido conectar o equipamento. No trajeto, porém, a máquina parou de funcionar novamente. Segundo a mãe, os profissionais comentaram entre si que o aparelho operava em modo de "gambiarra", e a ventilação manual foi retomada. Depois, o fornecimento de oxigênio pelo equipamento foi restabelecido. Após o procedimento cirúrgico, Anna Laura retornou à UTI. De acordo com a mãe, o médico informou que o quadro era grave, que a pneumonia havia evoluído e que a criança apresentava sangramento no pulmão, desidratação e anemia. Foram administrados sangue e adrenalina, mas a bebê não respondeu ao tratamento. O batimento cardíaco e a saturação de oxigênio diminuíram. A equipe tentou reanimá-la, mas não teve sucesso, e a criança morreu. Nota na íntegra "O HCAA esclarece que recebe pacientes através do Sistema de Regulação. A internação da criança foi solicitada para a Ala de Pediatria Clínica não oncológica, implantada por meio de convênio com a Prefeitura de Campo Grande, formalizado em junho de 2026. A estrutura específica para atendimento à pediataria não oncológica foi criada para ampliar a oferta de leitos pediátricos e contribuir para reduzir o tempo de espera de crianças que necessitam de internação hospitalar após atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A unidade conta com 24 leitos de internação clínica destinados a crianças não oncológicas de até 12 anos, para o tratamento de doenças e condições clínicas que demandem hospitalização, incluindo infecções respiratórias e outras enfermidades pediátricas clínicas. Sua estrutura é independente da assistência oncológica do hospital e dispõe de equipe multiprofissional, medicamentos, exames e demais recursos necessários à assistência clínica prevista para a unidade. O HCAA esclarece que não dispõe de UTI pediátrica motivo pelo qual os casos que necessitam dessa modalidade de suporte devem ser encaminhados a serviços habilitados. Reiteramos que foram prestados todos os atendimentos necessários durante a permanência da criança no HCAA , que foi admitida dia 10/10, às 15h05 e diante da evolução do caso foi solicitada a transferência para o Hospital Regional às 17h20 e foi transferida por volta das 18h, para a continuidade da assistência em uma UTI pediátrica." Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/10/21/bebe-de-8-meses-morre-apos-idas-e-vindas-a-unidades-de-saude-e-familia-suspeita-de-negligencia-medica.ghtml


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