Bebê desenganada em 48h de vida terá alta de hospital após 7 meses internada: 'Parecia um pesadelo', diz mãe

  • 13/04/2026
(Foto: Reprodução)
Bebê desenganada pelos médicos recebe alta após 7 meses em Araçatuba Uma bebê que foi desenganada pelos médicos e recebeu uma expectativa de apenas 48 horas de vida terá alta após ficar sete meses internada em um hospital de Araçatuba (SP). Celine nasceu no dia 8 de setembro de 2025 e, desde então, vive na Santa Casa de Araçatuba. Apesar de já ter sido liberada pelos médicos, ela ainda não foi para casa porque a família precisa fazer algumas adaptações no imóvel. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Em entrevista ao g1, os pais Tais dos Santos Barcelar, de 19 anos, e Gabriel Alexandre Moreira da Silva, de 20, contaram que não tiveram tempo de vê-la após o parto, pois a recém-nascida foi levada às pressas para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal por apresentar risco de vida. Tais dos Santos Barcelar e Gabriel Alexandre Moreira da Silva e pequena Celine em seu nascimento em Araçatuba (SP) Tais Barcelar/Arquivo Pessoal Quando finalmente conseguiram ter o primeiro contato físico com a filha, receberam a notícia que mudaria para sempre a vida da família. Celine estava intubada quando Tais e Gabriel foram informados de que a expectativa de vida da filha era de apenas 48 horas e que, caso sobrevivesse, ficaria em estado vegetativo. “A primeira vez que nós vimos a Celine, ela já estava na UTI, intubada e com sonda de alimentação, ligada a vários aparelhos. A médica veio falar com a gente e foi bem clara: a expectativa de vida da Celine era de 48 horas e, se vivesse mais que isso, ela vegetaria. Devíamos nos preparar para os dois cenários. Parecia um pesadelo, eu não conseguia acreditar que era aquela a minha realidade”, conta Tais. A situação se agravou quando Celine foi diagnosticada com hidrocefalia, malformação no pulmão, cérebro e rosto, além de fenda palatina, que é uma abertura no céu da boca, e síndrome de West, uma forma rara de epilepsia. A equipe médica também investiga a suspeita de síndrome genética. Celine recém nascida em Araçatuba (SP) Tais Barcelar/Arquivo Pessoal LEIA MAIS Diagnóstico de TEA e preconceito: terapeuta e jornalista contam desafios de viver com autismo Criança de um ano é picada por escorpião em parquinho de creche em Birigui Mãe denuncia agressão a filho autista em escola de Sorocaba A notícia surpreendeu os pais de primeira viagem, pois, segundo Tais, a gestação não foi considerada de risco. Durante o pré-natal, as ultrassonografias indicavam que a bebê estava com peso e tamanho considerados normais, sem sinal de problemas de saúde. “Para mim, como mãe, foi bem difícil entender que minha filha seria uma criança especial e que teria essas limitações. Eu me senti frustrada, como se o meu sonho tivesse sido roubado, como se a maternidade que todas as mulheres desejam viver fosse roubada de mim”, desabafa a mãe. Rotina de incertezas A rotina do casal se tornou intensa ao longo do período de internação. Gabriel sai para trabalhar de manhã, e Tais vai para a Santa Casa de Araçatuba. Ao fim do expediente, Gabriel assume o posto para que eles se revezem nos cuidados com a filha, além de cuidar da casa. Mesmo com o desenvolvimento de Celine, as previsões médicas eram uma angústia constante. O casal não pôde passar as datas comemorativas junto, pois apenas uma pessoa podia permanecer no hospital. Eles se revezaram no Natal e no Ano Novo com receio de que fossem os últimos momentos da filha. Mais uma vez, a pequena superou as expectativas. Celine comemorando seu 6º mês de nascimento em hospital de Araçatuba (SP) Tais Barcelar/Arquivo Pessoal Tais relata as dificuldades impostas pela condição de saúde da filha, como não poder trabalhar ou estudar. “A sensação que eu tive logo após o parto foi que a minha vida tinha acabado ali, que eu não poderia mais trabalhar nem estudar. Parecia um pesadelo”, diz. Luta por direitos Após sete meses vivendo em um hospital, Celine finalmente ganhou na Justiça o direito de ir para casa com estrutura de home care. Segundo Gabriel, a família também enfrenta outra batalha judicial para que o Sistema Único de Saúde (SUS) forneça o canabidiol, receitado para tratar a epilepsia da menina. “Tinha uma mãe na Santa Casa que doou para nós dois frascos pela metade, e é o que nós estamos usando agora. Mas o filho dessa mulher também usa, e aumentaram a dosagem dele. Com isso, ela não consegue mais fazer doações para nós. Então, quando acabar, não vamos mais ter”, conta Gabriel. O g1 procurou a Secretária Estadual de Saúde do Estado de São Paulo e a Secretária Municipal de Saúde de Araçatuba, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno. Uma casa para Celine Devido aos diagnósticos, Celine não respira sozinha e usa uma traqueostomia. Ela também se alimenta por meio de uma sonda ligada ao estômago e não tem firmeza muscular, segundo a família. Para que ela seja retirada do hospital, a casa dos pais precisa de adaptações estruturais obrigatórias, como ar-condicionado 24 horas, reforço na rede elétrica, umidificador de ar e móveis específicos para os equipamentos e para a equipe de enfermagem. As modificações estruturais na residência ainda não foram totalmente concluída. “Quando soubemos todas as exigências, nós assustamos, decidimos criar um perfil nas redes sociais para contar a história dela e vamos atualizando a situação dela para quem gosta de acompanhar”, explica. Família compartilha rotina da pequena Celina de Araçatuba (SP) nas redes sociais Instragram/Reprodução Com Gabriel trabalhando como montador industrial e Tais em licença-maternidade, o custo das adaptações seria financeiramente inviável. Além de promover uma rifa, a família contou com a ajuda de parentes, amigos, membros da igreja e de um sargento da cidade, conhecido por organizar campanhas solidárias. Bebê que, segundo médicos, teria 48h de vida, recebe alta após 7 meses internada em hospital de Araçatuba (SP) Tais Barcelar/Arquivo Pessoal Mesmo com a mobilização da comunidade, a luta continua. Celine demanda insumos constantes, como aspirador de traqueostomia, sondas, luvas e fraldas. Acima de tudo, a família pede apoio com boas vibrações para que a filha continue superando os desafios. “Orações para a vida da Celine, que ela viva muitos anos, muito mais do que a medicina estipulou”, finaliza Tais. Bebê que, segundo médicos, teria 48h de vida, recebe alta após 7 meses internada em hospital de Araçatuba (SP) Tais Barcelar/Arquivo Pessoal Initial plugin text * Colaborou sob supervisão de Henrique Souza Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/04/13/bebe-desenganada-em-48h-de-vida-tera-alta-de-hospital-apos-7-meses-internada-parecia-um-pesadelo-diz-mae.ghtml


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