Câmara decide não afastar vereador condenado por dirigir bêbado e matar idoso atropelado no PR
18/03/2026
(Foto: Reprodução) Vereador eleito é preso após atropelar e matar idoso em calçada no PR
A Câmara de Vereadores de Guarapuava, na região central do Paraná, decidiu não afastar, por enquanto, o vereador Kenny Rogers (MDB), condenado por dirigir embriagado e matar um idoso atropelado. A decisão contraria um pedido do Ministério Público Eleitoral, que solicitava o afastamento imediato por quebra de decoro parlamentar.
A medida foi tomada na segunda-feira (16) pelo Conselho de Ética da Câmara. O colegiado optou por abrir prazo para que o vereador apresente defesa antes de qualquer decisão sobre o mandato.
Kenny Rogers, conhecido políticamente como "Kenny do Cartório", foi condenado em janeiro a 7 anos, 5 meses e 24 dias de prisão, em regime semiaberto. Ele responde em liberdade e segue no cargo.
O atropelamento aconteceu em dezembro de 2024, poucos dias antes da posse como vereador. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do acidente. Após atingir o idoso, o carro dirigido por Kenny bateu em um barranco e capotou. Assista acima.
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Segundo o Ministério Público Eleitoral, o vereador violou o regimento interno da Câmara ao dirigir sob efeito de álcool, causar a morte da vítima e não prestar socorro. Para o órgão, a conduta fere o decoro parlamentar e justificaria o afastamento imediato.
Em manifestação, a promotoria afirmou para a RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que o pedido tinha caráter de recomendação, sem obrigação legal de cumprimento, mas destacou a gravidade do caso e a necessidade de análise pela Câmara.
O Conselho de Ética informou que encaminhou as denúncias e documentos ao vereador para garantir o direito de defesa. Após essa etapa, o processo seguirá para análise das provas e eventual decisão sobre o afastamento ou cassação do mandato.
Kenny do Cartório (MDB) estava dirigindo carro que atropelou e matou idoso, segundo polícia
TSE e Samu
Na época do atropelamento, o político foi preso em flagrante, mas foi solto menos de 48 horas depois e respondeu a todo o processo em liberdade. Relembre detalhes mais abaixo.
Kenny foi julgado em 22 de janeiro de 2026 e seis dias depois o Ministério Público Eleitoral enviou um ofício à Câmara de Guarapuava pedindo que o vereador fosse afastado. No documento, o órgão também solicitou que fosse instaurada uma comissão de ética e decoro parlamentar, visando a cassação do mandato dele.
🔎A "quebra de decoro" é toda conduta reprovável, inadequada ou incompatível com a dignidade do exercício de um parlamentar. O congresso nacional define o "decoro parlamentar" como os princípios e normas de conduta que orientam o comportamento do parlamentar no exercício de seu mandato.
Procurado pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o advogado Marinaldo Rattes, que atua na defesa de Kenny do Cartório, destacou que recorreu da sentença criminal e que somente é possível a perda do cargo ou da função pública mediante sentença condenatória com trânsito em julgado - ou seja, quando o caso já percorreu todas as instâncias da Justiça. Veja nota completa mais abaixo.
Ministério Público Eleitoral pede afastamento de vereador de Guarapuava
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Relembre o caso
Acidente aconteceu no final da tarde de sábado (21)
Samu
O atropelamento aconteceu no final da tarde de 21 de dezembro de 2024, um sábado, na Avenida Vereador Rubem Siqueira Ribas.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), Kenny Rogers estava dirigindo embriagado, em alta velocidade e com a CNH cassada, quando avançou na calçada e atingiu José Maceno de Almeida, de 82 anos. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Segundo relato da PM, dois delegados da Polícia Civil que estavam de folga passaram pelo local do acidente e viram o veículo capotado na pista e o idoso caído no chão.
"Um homem, com vestes desarrumadas e sinais de sujeira, foi visto entrando em outro veículo próximo ao local do acidente, aparentando ser o motorista do carro capotado e tentando fugir", complementa o relatório.
De acordo com a polícia, o carro no qual Kenny estava entrando para tentar fugir era o de outra vereadora da cidade. Ela fechou um acordo com o MP-PR para não responder criminalmente pelo caso.
RELEMBRE: Vereadora de Guarapuava fecha acordo para não responder criminalmente por envolvimento em atropelamento que terminou com morte
O político foi preso em flagrante ainda no sábado, e recebeu liberdade provisória na manhã de segunda-feira.
Durante o processo, o advogado do vereador contestou que ele estava embriagado. A defesa também recorreu da sentença que condenou Kenny Rogers.
"Não há provas da embriaguez ao volante; o termo de constatação apresentado pelo polícia militar, possui erros grosseiros de falsidade, tanto é verdade que a própria magistrada acolheu o pedido da defesa para abertura de inquérito policial para apurar a falsidade da assinatura no referido documento apresentado pelos milicianos. Portanto, partindo dessa premissa o recurso de apelação irá pautar-se no afastamento da embriaguez na condução do veículo, o que poderá alterar o quanto da pena imposta. Entre outras teses defensivas que não foram acolhidas pelo Juízo de primeiro grau. Ademais, é escorreita a decisão que concedeu o direito do acusado recorrer em liberdade da sentença condenatória", disse o advogado, após o julgamento.
José Maceno de Almeida tinha 82 anos
Cedida pela família
Quem é o vereador
Kenny Rogers Gonçalves Anacleto tem 34 anos e, segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), possui ensino médio completo, é empresário e casado.
Ele concorreu ao cargo de vereador de Guarapuava pelo Republicanos em 2020, quando recebeu 638 votos e ficou como suplente. Em 2024, se candidatou pelo MDB e se elegeu com 1.294 votos.
Kenny do Cartório, como se identifica nas urnas, foi diplomado no dia 16 de dezembro de 2024 para assumir o cargo no Legislativo Municipal a partir de janeiro de 2025.
Kenny do Cartório (MDB)
TSE
O que diz a Câmara de Guarapuava
Veja, abaixo, a íntegra da nota da Câmara Municipal de Vereadores de Guarapuava:
"A Mesa Executiva da Câmara de Guarapuava, no uso de suas atribuições legais e regimentais, vem a público comunicar que, na tarde desta terça-feira, dia 03 de março de 2026, foi assinado o Ato da Mesa Executiva determinando o encaminhamento de expedientes ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, para fins de apuração das condutas relacionadas ao Vereador Kenny do Cartório.
No referido encaminhamento foram apensados os pedidos previamente apresentados à instituição, bem como a sentença condenatória de primeiro grau proferida nos autos, a fim de que todos os documentos tramitem de forma conjunta, garantindo a unidade e a eficiência da instrução processual.
O Ato da Mesa Executiva determina, ainda, que o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar proceda à devida instrução do feito e realize a análise dos elementos apresentados, em conformidade com as disposições do Regimento Interno desta Casa Legislativa e da legislação aplicável à matéria.
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, órgão responsável pela apreciação das questões atinentes ao decoro e à conduta dos membros do Poder Legislativo Municipal, atualmente é composto pelos seguintes parlamentares: Gilson da Ambulância; Vardinho; e Ike Silvestri.
A Câmara de Guarapuava reafirma o seu compromisso com a transparência, a legalidade e o estrito cumprimento das normas que regem a conduta parlamentar, assegurando que todos os procedimentos sejam conduzidos com o devido respeito ao contraditório, à ampla defesa e aos princípios do Estado Democrático de Direito."
O que diz a defesa do vereador
Veja, abaixo, a íntegra da nota de Marinaldo Rattes, advogado do vereador:
"Entende a defesa que, nos termos do artigo 92 do Código Penal e da jurisprudência dos Tribunais Superiores, somente é possível a perda do cargo ou da função pública mediante sentença condenatória com trânsito em julgado.
No caso em debate, houve sentença condenatória, a qual impôs o regime semiaberto, de modo que o STF possui entendimento de que somente poderia haver a cassação antes do trânsito em julgado da sentença condenatória se a pena fixada fosse em regime fechado e o vereador estivesse preso, sem poder participar das sessões da legislatura.
Por fim, o ofício enviado pelo Ministério Público não tem força determinativa, pois não houve decisão judicial que determinasse a perda do mandato ou a suspensão do seu exercício".
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