Carrapato-do-boi reduz produção de leite e preocupa produtores no Centro-Oeste de MG
01/03/2026
(Foto: Reprodução) Carrapato do boi preocupa produtores rurais em Minas
O carrapato-do-boi tem tirado o sono de produtores rurais em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas. Além de comprometer a saúde do rebanho, o parasita reduz a produção de leite e gera prejuízos milionários todos os anos.
Em um momento de queda no preço pago pelo litro, qualquer perda pesa no bolso de quem vive da atividade.
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O principal responsável pelos impactos é o Rhipicephalus microplus, ectoparasita que se alimenta do sangue dos bovinos. É justamente na fase em que está sobre o animal que ocorrem as maiores perdas econômicas.
Na prática, o problema já afeta propriedades da região. O produtor rural Juarez Gomes Branquinho relata dificuldades para manter o gado saudável durante os períodos mais quentes e úmidos do ano, quando há maior proliferação do parasita.
Segundo ele, a infestação interfere no ganho de peso e na produção de leite, além de elevar os custos com medicamentos.
“Quando o preço do leite cai, qualquer prejuízo soma muito no bolso”, afirma o produtor, que também destaca que manter o rebanho livre de carrapatos é um desafio constante.
Infestação interfere no ganho de peso e na produção de leite, além de elevar os custos com medicamentos.
Reprodução
Impactos na saúde do animal
De acordo com o médico veterinário Brunno Henrique Araújo Silva, a infestação pode causar anemia severa, perda de peso, irritabilidade, lesões na pele e maior vulnerabilidade a doenças, como a tristeza parasitária bovina, que pode levar à morte.
“O animal parasitado precisa repor hemácias constantemente. Isso compromete o desempenho e a produção”, explica.
Um estudo publicado em janeiro de 2024 por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte aponta que os prejuízos causados pelo carrapato-do-boi à economia brasileira chegam a cerca de US$ 3,2 bilhões por ano. Cada carrapato pode representar perda média de 0,22 quilo de peso vivo por animal ao ano.
Mesmo quando o produtor visualiza grande quantidade de carrapatos no boi, isso representa apenas cerca de 5% da infestação total. Aproximadamente 95% das larvas permanecem na pastagem, favorecendo a reinfestação. Cada fêmea é capaz de colocar, em média, 3 mil ovos, o que explica a rápida multiplicação.
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Raças mais e menos resistentes
A sensibilidade ao parasita varia conforme a raça. Bovinos zebuínos, como o Nelore, tendem a apresentar maior resistência. Já raças taurinas e seus cruzamentos, como Holandesa, Angus e Brangus, são mais suscetíveis e podem registrar prejuízos acima do limite considerado economicamente aceitável.
Como prevenir e controlar
O controle do carrapato exige atenção contínua e manejo adequado. Segundo o veterinário, o chamado controle estratégico, que considera o ciclo de vida do parasita e a sazonalidade, é o mais indicado no Brasil.
Além do uso orientado de carrapaticidas, práticas de manejo são fundamentais, como:
Rotação de pastagens;
Limpeza de cercas e bebedouros;
Controle da vegetação;
Observação frequente do rebanho;
Nutrição adequada dos animais.
O especialista alerta que o uso incorreto de medicamentos pode gerar resistência do parasita, dificultando ainda mais o combate.
Riscos também para trabalhadores
A presença de carrapatos também exige cuidados com a saúde humana, especialmente de trabalhadores rurais que têm contato direto com animais infestados. O uso de equipamentos de proteção e a adoção de medidas de higiene são recomendados durante o manejo.
Para os produtores, a combinação entre acompanhamento veterinário e boas práticas na fazenda é a principal estratégia para reduzir prejuízos e proteger a rentabilidade da atividade leiteira.
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