Casal de missionários é denunciado pelo Ministério Público por ocupação irregular em reserva ambiental

  • 06/08/2026
(Foto: Reprodução)
Casal de missionários é denunciado pelo MP por ocupação irregular em reserva ambiental O Ministério Publico do Amazonas denunciou o casal de missionários Beatriz e Robert Ritzentahler por crime ambiental, assim como um ex-líder comunitário de Novo Airão. O casal, ligado a uma igreja evangélica dos Estados Unidos, se recusa a sair de uma reserva ambiental onde ergueram construções luxuosas. A Polícia Civil do Amazonas já havia pedido a prisão deles. Eles foram denunciados por não aceitarem o acordo sugerido pelo promotor que analisou a investigação da polícia sobre o desmatamento de uma área de mais de quatro mil metros quadrados em uma das dezenove comunidades que ficam na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, no município de Novo Airão. "Se eles aceitassem o acordo, iria findar ali todo esse procedimento", explicou o promotor João Guimarães Netto. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Para Beatriz e Robert Ritzentahler, a proposta foi perder os dois imóveis que construíram irregularmente em favor da comunidade Santo Antônio. Para o ex-presidente da associação de moradores Edilson Martins Pinheiro, a proposta foi que ele pagasse uma cesta básica no valor de um salário mínimo a alguma entidade ou prestasse serviços comunitários por dezesseis meses. Como eles recusaram, o promotor denunciou os três. "Devastaram uma área, fizeram construção irregular. Entendeu? Então, isso ai é crime ambiental. Como crime ambiental, têm que ser punidos na forma da lei”, afirmou o promotor. Beatriz é brasileira e Robert veio dos Estados Unidos. O casal adventista chegou à comunidade onze anos atrás. Prometendo benefícios a quem vive aqui, eles conseguiram convencer a comunidade a doar o terreno à ONG criada pelos dois. Um termo de doação foi assinado por Edilson, representante dos moradores na época, mas o documento não teria validade legal. Casal de missionários Beatriz e Robert Ritzentahler Reprodução/Rede Amazônica "A interpretação nossa, da Procuradoria Geral do Estado, é que não (tem validade)", disse o chefe da procuradoria do Meio Ambiente do Amazonas, José Gebran Batoki Chad. "Uma simples assembleia de uma comunidade não tem poder jurídico para ser realizada neste sentido", endossou o delegado Guilherme Antoniazzi. Na comunidade, somente as construções irregulares da ONG têm cercas e cruzá-las passou a ser arriscado. Moradores também acusaram o casal de usar imagens de alguns deles na internet, sem autorização, para pedir doações no exterior. Esse dinheiro não estaria beneficiando quem vive aqui. Disseram ainda que Beatriz e Robert cobravam dinheiro de pessoas interessadas em participar de missões no interior do Amazonas, principalmente turistas estrangeiros. Os dois chegaram a processar a comunidade, porque os moradores quiseram discutir, em assembleia, o cancelamento da suposta doação do terreno. Alegando que o Brasil não é terra sem lei e que aqui não se pode usurpar daquilo que pertence a terceiros, o casal pediu à Justiça que obrigasse a retirada do assunto da pauta da assembleia comunitária. Eles até conseguiram isso com uma liminar, que acabou derrubada. Com isso, finalmente a maioria dos moradores votou pela saída dos missionários da comunidade, em uma assembleia que aconteceu quase um ano atrás. Mas, apesar disso, o casal insiste em não sair da comunidade. Além do processo que pode levá-los à prisão, os missionários podem, também, perder as casas que construíram na reserva ambiental, e ainda ter que pagar uma indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos. São as penas pedidas pela Procuradoria Geral do Estado, em uma ação movida no fim do ano passado, que ainda aguarda uma decisão judicial. Neste processo, o ex-líder comunitário denunciado pelo Ministério Público não é réu. "O Edilson está, enquanto comunitário tradicional, numa situação de vulnerabilidade", disse o procurador. Ele foi induzido a essa situação de erro a partir de falsas promessas que não foram cumpridas", disse o procurador. Por enquanto, a juíza Juliana Arraes Mousinho apenas proibiu novas construções e obras no local, e que o casal não impeça a passagem ou restrinja o acesso da comunidade às áreas comuns da RDS do Rio Negro, sob pena de multa de R$ 5 mil por dia se descumprirem a ordem. Falta ela bater o martelo sobre o futuro dos imóveis e a indenização. “A gente espera e anseia por uma boa conclusão. Uma conclusão positiva em termos socio ambientais." O ex-líder comunitário Edilson Martins Pinheiro disse à Rede Amazônica que não cometeu crime ambiental e nega ter sido conivente com qualquer irregularidade. Segundo ele, a denúncia é motivada por supostas rixas pessoais, e a defesa já está adotando as medidas cabíveis. A Rede Amazônica questionou o casal de missionários, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Casal construiu casa de luxo em reserva ambiental após conseguir doação de terreno com líder comunitário. Vinicius Assis/Rede Amazônica

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/08/06/casal-de-missionarios-e-denunciado-pelo-ministerio-publico-por-ocupacao-irregular-em-reserva-ambiental.ghtml


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