Como degustar um vinho: um guia simples para iniciantes

  • 12/05/2026
(Foto: Reprodução)
Aprender a degustar vinhos é mais fácil do que parece e a prática possui diversas vantagens: sem dúvida, ajuda a identificar os bons e os maus vinhos e, por consequência, a beber melhor gastando menos. Frequentar um curso de vinho é muito útil para se aprofundar nesse mundo porque geralmente as degustações ocorrem às cegas (isto é, sem conhecer previamente os rótulos) e costumam ser temáticas: por exemplo, provando ao mesmo tempo quatro Malbecs argentinos, de quatro vinícolas, é mais fácil compreender semelhanças e diferenças. Todavia, é possível aprender sozinho as técnicas para degustar profissionalmente um vinho. Para isso, é suficiente seguir quatro passos: análises visual, olfativa, gustativa e conclusão. Para começar, sirva uma dose de vinho (cerca de 75 ml são suficientes) numa taça de haste longa. Aqui você deve se atentar apenas para que o vinho esteja na temperatura correta. Observar o vinho A cor do vinho dá as primeiras pistas do que esperar da bebida. Divulgação. Olhar a cor do vinho é o primeiro passo para ter alguns indícios sobre a bebida. Para avaliar corretamente a cor, incline a taça sobre um fundo branco: você se dará conta que ao centro a tonalidade da bebida será mais intensa do que nas laterais. Mais intensa a cor, melhor o vinho? Não! Existem uvas maravilhosas, como Pinot Noir e Nebbiolo, que produzem vinhos em aparência clarinhos, mas que, no nariz e em boca, são ricos, complexos e estruturados. Via de regra, vinhos brancos de cor amarelo-pálida são jovens e não amadureceram em barrica – a Pinot Grigio costuma ser assim. Outras uvas, como Sauvignon Blanc, geralmente apresentam tons esverdeados nas bordas. Uma cor dourada intensa costuma indicar que o vinho teve estágio em carvalho, fase em que passou por oxidação natural. Reflexos amarronzados ou acastanhados nos vinhos tintos também revelam que a bebida passou por amadurecimento em madeira. Já a intensidade da cor nos dá informações sobre a presença de antocianinas, mas não indicam qualidade. Algumas uvas são mais escuras que outras. Exemplos são Malbec, Aglianico, Syrah e Touriga Nacional. Outras possuem uma intensidade média, como Merlot, Sangiovese e Tempranillo. Observe também a viscosidade da bebida: vinhos com maior teor alcoólico são mais densos e você percebe isso pela velocidade com a qual as lágrimas da bebida escorrem pela taça. Cheirar o vinho Girar o vinho na taça ajuda a liberar os aromas, mas antes de fazer esse gesto, aproxime o nariz e sinta os aromas com a bebida parada. Agora sim, gire o líquido e cheire novamente. Você irá perceber a diferença entre as duas aspirações e os aromas ficarão mais evidentes. Alguns vinhos são mais aromáticos que outros e será mais fácil identificar as características; outros são menos perfumados naturalmente. A uva branca Sauvignon Blanc, por exemplo, é bastante expressiva; ao contrário da Pinot Grigio que é mais sutil. Mas, afinal, o que procurar? Os aromas do vinho se dividem em primários, secundários e terciários. Continue agitando a taça e cheirando para tentar identificar o maior número de aromas. Os primários provêm da própria uva e do terroir: simplificando, o Cabernet Sauvignon do Chile, por exemplo, possui típicas notas de pimentão verde; já o Malbec argentino é caracterizado por intensos aromas de ameixa preta. Cada variedade tem seu perfil aromático, cabe a você explorá-lo. Os aromas secundários se desenvolvem durante a elaboração do vinho, mais especificamente durante a fermentação, fase em que ocorrem as reações químicas causadas pelas leveduras e pelas bactérias. É nesse estágio, por exemplo, que o Chardonnay adquire os tradicionais aromas amanteigados que são originados por uma bactéria específica. Por fim, os aromas terciários surgem durante o envelhecimento e também da reação do vinho com o oxigênio. São conhecidos também como aromas de evolução, pois se desenvolvem com o passar do tempo. Exemplos são as notas de frutas secas que se originam num Champagne ou no vinho do Porto, e nas notas amadeiradas que o vinho incorpora ao ficar em contato com as barricas de carvalho. Nem todos os aromas, porém, são bem-vindos. Alguns são defeitos e saber reconhecê-los também é importante – veja quais são. Como provar Antes de engolir, deixe a bebida passear pela boca. Divulgação. Após dar um belo gole, deixe passear a bebida pela boca e pela língua para identificar sabores, doçura, acidez, taninos, corpo e álcool. Essas são as seis características que você precisa entender e descrever. Sabores: se o os sabores são os mesmos dos aromas, você está diante de um vinho definido “franco”; pode parecer óbvio, mas nem sempre é assim. Os sabores podem ser intensos ou sutis, podem durar pouco ou se prolongar mesmo após engolir. Preste atenção e avalie se são sabores agradáveis. Doçura: os vinhos podem ser secos, doces ou semissecos a depender da quantidade de açúcar neles contida. O açúcar pode ser natural da fruta, isto é, residual da fermentação, ou seja, quando nem todo foi convertido em álcool, ou pode ser adicionado depois da fermentação como no caso de espumantes doces e meio doces. Acidez: é a espinha dorsal de um vinho que mantém a bebida fresca e vibrante, sem correr o risco de se tornar enjoativa. Pode ser percebida facilmente: se após engolir a bebida, suas papilas gustativas continuam salivando, você está diante de um vinho de acidez elevada. Mas tudo tem limite: ela não pode ser agressiva ao ponto de ser desagradável Taninos: esses compostos fenólicos, presentes nas uvas e em outras plantas, conferem uma sensação de adstringência na boca, que deixa língua e gengivas ásperas e “amarradas”. Essa sensação é mais pronunciada em vinhos tintos, especialmente aqueles elaborados com uvas tintas de casca grossa, como a Cabernet Sauvignon e a Tannat. Taninos precisam estar presente, mas não podem ser “verdes”, isto é, que se manifestam quando as uvas não amadureceram bem. A experiência vai te ajudar a identificar quando um tanino está redondo e quando está muito agressivo, o que é um defeito. Álcool: o teor alcoólico pode variar bastante. Os Vinhos Verdes possuem tipicamente grau baixo de álcool, em torno de 10%, enquanto um vinho tinto Amarone pode chegar tranquilamente a 15-16%. Quando o álcool é bem integrado, um vinho mais alcoólico pode parecer mais equilibrado do que um vinho com menos álcool. O importante é que você não sinta uma sensação de ardência e calor na boca. Corpo: o corpo do vinho pode ser traduzido como a sensação de peso, volume e untuosidade na boca. Um vinho jovem tende a ser menos encorpado do que um que vinho que estagiou em barricas. Isso não quer dizer que quanto mais encorpado melhor o vinho, de novo é tudo uma questão de equilíbrio. Conclusão: o vinho é bom ou nem tanto? É considerado um bom vinho aquele equilibrado, saboroso e complexo. Divulgação. Aqui a palavra-chave é equilíbrio. Um bom vinho é aquele que possui equilíbrio entre seus atributos. Quando um deles se sobrepõe aos demais, a bebida é desequilibrada. Um tanino muito adstringente, a acidez muito elevada, o álcool muito presente podem tornar o vinho não muito agradável. Se você identificou alguma qualidade que lhe agrada particularmente, guarde na memória e tente encontrá-la em outros rótulos. Se você por exemplo gosta de Malbec argentino, com seus sabores e aromas de frutas negras e textura envolvente, é provável que possa apreciar também um Primitivo da região Puglia, no sul da Itália. Só a prática, ou “litragem”, irão aprimorar suas habilidades de degustador. Comparar mais vinhos de uma vez é o jeito mais fácil e rápido de aprender. Tente confrontar a mesma uva de diferentes produtores ou de terroir distintos, ou safras diversas do mesmo vinho, para entender melhor os vinhos. BEBA MENOS, BEBA MELHOR.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/porto-a-porto/guia-do-vinho-e-da-gastronomia/noticia/2026/05/12/como-degustar-um-vinho-um-guia-simples-para-iniciantes.ghtml


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