Conheça bases dos EUA no Oriente Médio que podem virar alvo do Irã; MAPA
28/02/2026
(Foto: Reprodução) O programa nuclear iraniano: o que é que o Irã tem que assusta tanto os norte-americanos?
As bases militares norte-americanas no Oriente Médio estão no foco da escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. O regime Khamenei ameaça atingir essas instalações caso seja atacado, e as estruturas estão em alerta máximo.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Os EUA possuem 19 bases militares no Oriente Médio, além de outras instalações que o Exército norte-americano pode utilizar com base em alianças firmadas com países da região. As bases integram uma rede que confere a Washington a maior e mais ampla presença militar entre todos os países do mundo.
Veja abaixo quais são as bases militares dos EUA no Oriente Médio:
Mapa mostra as bases militares dos EUA no Oriente Médio.
Kayan Albertin/Arte g1
Bases no Oriente Médio
Das 19 bases militares dos EUA no Oriente Médio, oito delas são controladas pelo país e outras 11 com presença de tropas e equipamentos militares, segundo um levantamento de 2024 do Congresso dos Estados Unidos. (Veja no mapa acima e dê zoom para ter mais detalhes)
Kuwait: 5 bases;
Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Arábia Saudita e Síria: 2 bases cada;
Egito, Jordânia, Omã, Catar: 1 base cada.
A maior base dos EUA no Oriente Médio fica no Catar. É a de Al Udeid, que abriga cerca de 10 mil soldados, segundo institutos especializados em questões militares. Outras bases da região, principalmente na Jordânia, têm sido utilizadas para acumular jatos de guerra para um eventual ataque contra o Irã.
Em janeiro, países da Península Arábica, que tem alguns dos maiores aliados dos EUA no Oriente Médio, proibiram o governo Trump de utilizar seus espaços aéreos e terrestres para lançar um ataque contra o Irã. Foi o caso da Arábia Saudita, da Jordânia, e dos Emirados Árabes Unidos.
Esses países temem uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio. Afinal, o regime do aiatolá Ali Khamenei prometeu retaliar qualquer ataque ao Irã bombardeando bases aéreas dos EUA na região.
"Al Udeid", Catar
Jato norte-americano F-35 taxiando na base de Al Udeid, no Catar, com outros jatos e aeronaves ao fundo. Foto de 2023.
Leon Redfern/Exército dos Estados Unidos
A base de Al Udeid abriga cerca de 10 mil tropas dos EUA e tem capacidade para 100 aeronaves. É nela que fica o quartel general do Centcom, divisão central do Exército dos EUA responsável pelo Oriente Médio, Egito, Ásia Central e partes do sul da Ásia. É a única base que atua como um comando regional mais amplo.
Al Udeid foi atacada em 2025 pelo Irã em retaliação a bombardeios dos EUA contra instalações nucleares. Em janeiro deste ano, a base entrou em alerta máximo e evacuou parte do pessoal. No início de fevereiro, o Exército norte-americano posicionou baterias móveis de defesa aérea Patriot no local.
"Camp Arifjan", Kuwait
Soldados dos EUA em treinamento militar no Camp Arifjan, base militar no Kuwait. Foto de 2025.
Craig Morris/Exército dos EUA
Essa base é considerada um centro logístico do Exército norte-americano e já deu suporte para missões dos EUA no Iraque e na Síria. Possui diferencial em suprimentos e mobilização rápida. Abriga cerca de nove mil soldados dos EUA.
"Al Dhafra", Emirados Árabes Unidos
Dois caças F-35 dos EUA posicionados na base aérea de Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos. Foto de 2025.
Nicholas Rupiper/Exército dos EUA
A base possui mais de 50 jatos F-22, drones de ataque e aeronaves de vigilância dos EUA. Tem um foco em inteligência, aviação furtiva e monitoramento regional. Abriga cerca de 3,5 mil soldados norte-americanos.
"Naval Support Activity (NSA) Bahrain", Bahrein
Embarcações dos EUA conduzem exercício de treinamento próximos à base NSA Bahrain, em Bahrein. Foto de 2025.
Bryan Blair/Exército dos EUA
A base naval dos EUA no Bahrein tem entre sete e nove mil soldados dos EUA e tem como foco garantir a segurança do Golfo Pérsico, do Mar Vermelho e Oceano Índico.
É uma base naval considerada estratégica por ter capacidade de receber um porta-aviões —Washington geralmente deixa ao menos uma dessas embarcações estacionada na região—, outros navios de combate e submarino nuclear.
"Muwaffaq Salti", Jordânia
Soldados do Exército dos EUA carregam módulo de sistema de lançamento de mísseis na base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia. Foto de 2024.
Tyler Becker/Exército dos EUA
A base de Muwaffaq Salti., na Jordânia, abriga uma aeronaves da 332ª divisão da Força Aérea dos EUA, que inclui jatos F-15, F-16, aviões de vigilância e helicópteros de ataque. Abriga cerca de dois mil soldados dos EUA.
Ela foi uma das bases que recebeu mais jatos dos EUA deslocados para o Oriente Médio na atual escalada militar de Washington contra o Irã.
"Prince Sultan", Arábia Saudita
Jato F-16 dos EUA taxiando na base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita. Foto de 2023.
Alexander Frank/Exército dos EUA
A base Prince Sultan tem cerca de 2,3 mil tropas dos EUA e tem foco em proteger rotas de petróleo de ataques do Irã ou dos Houthis, grupo rebelde iemenita financiado por Teerã. Possui defesa antimísseis Patriot e THAAD.
Bases militares e tropas dos EUA pelo mundo
D
Os EUA são uma superpotência militar mundial e possuem a maior rede de bases militares estrangeiras, segundo institutos especializados em estudos militares.
São cerca de 170 mil tropas postadas em cerca de 800 instalações militares em dezenas de países com os quais os EUA têm parceria;
Dessas 800 instalações, 128 delas são bases militares, e elas estão distribuídas por 51 países em cinco continentes do mundo (veja no mapa acima), segundo um levantamento de 2024 do Congresso norte-americano;
Bases militares costumam ter uma maior magnitude e possuem infraestrutura para alojamento de tropas, armazenamento de equipamentos e com funções de defesa e logística.
O posicionamento e distribuição dessas instalações militares e tropas têm importância estratégica fundamental para as pretensões geopolíticas dos EUA e servem principalmente para a contenção de seus adversários e projeção de poder militar, segundo Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard .
Segundo o Congresso dos EUA, as principais razões estratégicas para manter bases pelo mundo são:
Facilitar respostas militares rápidas fora dos EUA quando necessário;
Dissuadir adversários de atacar os EUA ou seus aliados e parceiros;
Garantir a segurança dos países aliados e parceiros dos EUA.
O país gastam mais de US$ 70 bilhões (R$ 364 bilhões) por ano para manter suas instalações militares no exterior, segundo dados de outubro de 2025. São 230 mil militares, entre tropas da ativa e civis funcionários do Departamento de Guerra e membros da Guarda Nacional, posicionados entre essas instalações. Desses, cerca de 170 mil são tropas da ativa.
Veja no gráfico abaixo os 10 países que abrigam o maior número de tropas dos EUA.
Soldados norte-americanos estão presentes em centenas de outras instalações militares, que variam em tamanho e função. Um estudo da University of California Press de 2020 mapeou as cerca de 800 instalações militares dos EUA pelo mundo.
É possível que a atual configuração das forças norte-americanas sofra alterações nos próximos anos por conta de iniciativas próprias da Casa Branca de Trump, como um aumento do foco no Hemisfério Ocidental e na América Latina. Mesmo assim, atualmente, uma grande mudança parece improvável, segundo o professor Vitelio Brustolin.
"Os novos documentos estratégicos dos EUA deixam claro que a segurança das Américas como parte central da segurança nacional direta e prioritária para os EUA, diferentemente de Ásia e Europa, onde o foco é secundário. Mas isso não significa necessariamente os EUA busquem novas bases militares na América Latina", afirmou Brustolin.
Segundo o professor, os Estados Unidos não precisam construir novas bases militares na América Latina porque já é possível projetar poder a partir de seu próprio território, como comprovado durante a campanha de pressão contra o ditador venezuelano deposto Nicolás Maduro.
No hemisfério ocidental, o objetivo dos EUA é expulsar a influência de Rússia e China, segundo Brustolin, e "não necessariamente com a colocação de mais bases, mas buscando fazer com que os países da região se submetam aos Estados Unidos, seja de forma amigável ou não"
O Congresso dos EUA menciona "Natal-Fortaleza" como "instalações fora dos principais palcos de guerra", porém não dá detalhes.
Infográfico ilustra fatos da presença militar dos EUA pelo mundo.
Dhara Pereira/Arte g1