CPI do Crime Organizado ouve presidente do BC, Gabriel Galípolo; Campos Neto falta pela 3ª vez
CPI do Crime Organizado ouve o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, presta depoimento nesta quarta-feira (8) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, foi convocado a comparecer, mas faltou pela terceira vez.
Atual chefe da autoridade monetária, Galípolo foi convidado a prestar esclarecimentos no colegiado sobre a atuação do BC no caso do Banco Master, e sobre indícios de possíveis práticas criminosas praticadas pelo dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro.
🔎O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, um dia após o dono da instituição, Daniel Vorcaro, ser alvo de operação da Polícia Federal contra fraudes financeiras. A suspeita é que o banco vendia carteiras de crédito sem garantias, ou seja, podres.
O convite a Galípolo foi aprovado a partir de requerimento do senador Eduardo Girão (Novo-CE).
O parlamentar argumenta que a oitiva é importante após a divulgação de que Galípolo teria se reunido com Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio do Planalto. O senador manifestou dúvidas sobre a finalidade institucional da reunião.
Questionado sobre o encontro, Galípolo afirmou que foi orientado a agir de forma técnica sobre as declarações de Vorcaro de que o Banco Master estava sofrendo perseguição no mercado financeiro.
"Recebi [orientação] sempre assim: 'seja técnico, você tem toda autonomia nesse processo, mas também não faça pirotecnia. Não proteja ninguém, não persiga ninguém'. Sempre gozei de toda autonomia para poder fazer meu trabalho", disse Galípolo. Ele também negou ter tido outras reuniões sobre o caso.
Campos Neto falta novamente a oitiva
Roberto Campos Neto foi convocado por requerimento do relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ele esteve na chefia do Banco Central entre 2019 e 2025, época em que surgiram as primeiras suspeitas contra o Master.
Segundo o relator, o convocado é "testemunha qualificada" para explicar os critérios de idoneidade exigidos de controladores de bancos, e para explicar a suposta demora do BC em investigar indícios de fraudes envolvendo o banco de Vorcaro.
O requerimento da CPI lembra que, em 2019, o Banco Central autorizou Vorcaro a assumir o controle do antigo Banco Máxima, depois denominado Banco Master, e cita a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga se servidores do BC agiram ilegalmente para proteger os interesses da instituição financeira.
Campos Neto foi convocado em três ocasiões, e faltou. Veja as datas:
🗓️Foi inicialmente convocado para depor no colegiado em 3 de março. Por decisão do STF, a convocação foi transformada em convite, e ele não compareceu.
🗓️Em 31 de março foi realizada nova tentativa, com base no mesmo requerimento que havia sido transformado em convite. Novamente, ele não foi.
🗓️Na mesma reunião de 31 de março os parlamentares aprovaram novo requerimento, esse de convocação, que não foi atendido com a ausência de Campos Neto nesta quarta (8).FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/08/cpi-do-crime-organizado-ouve-presidente-do-bc-gabriel-galipolo-campos-neto-falta-pela-3a-vez.ghtml