Crianças envenenadas com chumbinho em Goiás: mãe e padrasto são indiciados pela polícia
28/04/2026
(Foto: Reprodução) Padrasto é preso por morte de menina envenenada em Alto Horizonte
A mãe e o padrasto das crianças envenenadas com chumbinho em Alto Horizonte, no norte de Goiás, foram indiciados pela polícia, segundo o delegado responsável pelo caso, Domênico Rocha. Ronaldo Alves de Oliveira vai responder por feminicídio e homicídio tentado, ambos triplamente qualificados. Já Nábia Rosa Pimenta responderá pelos mesmos crimes mas por omissão imprópria, por não ter agido para evitá-los.
O caso aconteceu no dia 27 de março, quando a família se reuniu para jantar, na varanda da casa. Poucas horas depois da refeição, Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, começou a passar mal e foi levada para o hospital. Ela morreu em seguida. O irmão, de 8 anos, também foi hospitalizado e chegou a ficar internado em estado grave, mas sobreviveu.
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O g1 procurou a defesa de Ronaldo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A defesa de Nábia ainda não foi localizada.
Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, morreu após passar mal horas depois de um jantar em família, em Alto Horizonte (GO)
Reprodução/TV Anhanguera
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De acordo com o delegado, a autoria de Ronaldo, que está preso preventivamente desde o dia 2 de abril, foi confirmada por vários fatores, entre eles a análise das imagens capturadas pela câmera que havia na casa da família, que mostrou que, durante o jantar, o padrasto se levantou com o prato cheio de alimento branco, indicando que ele não teria consumido.
"O que nos permite concluir que ele evitou comer o arroz envenenado, justificando seu exame toxicológico negativo", disse o delegado.
Imagens captadas pela câmera de segurança da casa mostram a família reunida; em seguida, Ronaldo se levanta com o prato cheio de um alimento semelhante a arroz
Divulgação/ Polícia Civil de Goiás
Ao g1, Domênico afirmou que o exame toxicológico de Nábia também deu negativo, o que indica também que ela não teria consumido o arroz envenenado. Apesar de ela ter sido indiciada, o delegado afirmou que a sua prisão não foi pedida porque não há elementos para tal. "Especialmente porque o pai biológico já está com a guarda unilateral do menino", disse.
Ao divulgar a conclusão do inquérito, o delegado destacou a relação conturbada que o casal vivia, que estava junto havia cinco anos. Ele afirma que, os desentendimentos e as discussões constantes, relatadas pela própria mãe, permitem concluir que ela "recebeu sinais claros do companheiro e que poderia evitar toda essa tragédia".
"Mas, ao contrário, ela decidiu continuar a relação, expondo as crianças a toda essa fatalidade", disse.
De acordo com o delegado, Ronaldo permanece preso preventivamente na unidade prisional de Uruaçu.
O que aconteceu no dia
Em depoimento à polícia, tanto Ronaldo quanto Nábia afirmaram que ele cozinhou, naquela noite, apenas arroz e feijão. A carne moída já estava pronta, pois havia sido preparada de manhã, para o almoço.
A mãe das crianças contou que, na janta, ela fez o próprio prato e também o das duas crianças. Ao g1, o delegado Domênico disse não se recordar qual era a ordem exata de aparecimento de cada membro da família na varanda, mas que Weslenny foi a última a sair da cozinha, carregando o seu próprio prato.
Em seguida, todos os quatro comeram juntos, ao mesmo tempo. Segundo o delegado, apesar de as imagens da câmera da varanda mostrarem Ronaldo se levantando com o prato com bastante alimento branco, semelhante a arroz, tanto ela quanto ele afirmaram que comeram o arroz.
"Eles comeram do arroz que não havia veneno", disse o delegado, referindo-se ao casal.
Esse é um dos pontos não esclarecidos pela polícia, uma vez que a mãe disse que serviu o arroz para os dois filhos, mas apenas o deles estava envenenado. Segundo Domênico, o veneno pode ter sido administrado sem ela ter percebido.
"Em que momento houve ministrado esse veneno na comida é algo que realmente as investigações não conseguiram descortinar e não vão conseguir, porque está fora das imagens", disse.
A perícia da Polícia Científica identificou a presença de terbufós, substância conhecida como “chumbinho”, na panela de arroz, que estava guardado dentro da geladeira. Em depoimento à polícia, Nábia afirmou que viu Ronaldo guardando a panela.
Para o delegado, o fato pode ter sido um descuido do padrasto. "Às vezes, ele não esperasse que a polícia fosse diligente ao ponto de ir até a casa, de fazer uma varredura no local e encontrar essa comida", avaliou.
As imagens da câmera da varanda também mostram Ronaldo colocando o lixo para fora da casa. Foi nesses resíduos que a polícia também encontrou o arroz envenenado, que acabou sendo comido por gatos da vizinhança. Os felinos morreram depois. A perícia também concluiu que as mortes foram por chumbinho.
Depois da refeição, Weslenny começou a vomitar, sentir dor e ter crises convulsivas.
"Eu entrei lá no quarto, aí ela tava chorando. ‘Mãe, minha barriga tá doendo’. E ela geladinha. Eu vi que ela não tava normal", disse Nábia, em entrevista à TV Anhanguera.
Nábia Rosa Pimenta em entrevista à TV Anhanguera
Reprodução/TV Anhanguera
Em seguida, a menina pediu à mãe para ser levada para o hospital da cidade, mas não resistiu. Pouco tempo depois, o irmão dela também passou mal e foi encaminhado ao Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu, onde ficou internado por onze dias. Hoje, ele mora com o pai.
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