De hotel a casa paroquial: conheça casarões centenários que ajudam a contar a história de Sarapuí

  • 13/03/2026
(Foto: Reprodução)
Conheça casarões preservados que ajudam a contar os 154 anos de Sarapuí A cidade de Sarapuí, no interior de São Paulo, ainda preserva cerca de 40 casarões antigos espalhados pelas áreas urbana e rural. Alguns deles com mais de um século de história. Nesta sexta-feira (13), o município completa 154 anos de emancipação político-administrativa. Para marcar a data, o g1 reuniu as histórias de três construções que ajudam a contar a trajetória da cidade. No Centro de Sarapuí, os três imóveis ficam a apenas 600 metros de distância um do outro. O primeiro, localizado na Rua Doutor Cerqueira César, foi construído por imigrantes alemães e tem cerca de 126 anos. O segundo, na Rua Doutor Luiz Vergueiro, existe há 111 anos e foi utilizado como casa paroquial. Já o terceiro, na Rua Quintino Bocaiúva, foi erguido há mais de 140 anos. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Quase tão antigo quanto a cidade Na década de 1960, o viajante Francisco Chiaffitelli passou por Sarapuí e registrou sua impressão sobre a cidade, destacando a presença de diversos casarões antigos, que, segundo ele, lembravam as construções típicas de cidades de Minas Gerais. Entre eles, um chamou especialmente sua atenção: o imóvel localizado na Rua Quintino Bocaiúva, erguido entre 1850 e 1870, em estilo colonial brasileiro. O encantamento com o imóvel foi tão grande que o viajante decidiu comprá-lo. A casa foi erguida em madeira, taipa e barro, mas não há registros oficiais sobre quem foi o responsável pela construção. Após a morte de Francisco, o imóvel passou a ser cuidado pela filha dele, Maria Thereza, que mais tarde o repassou aos próprios filhos. O g1 conversou com um deles, João Paulo Netto, de 56 anos, que hoje é um dos responsáveis por preservar o casarão e manter viva a história da construção ao longo das décadas. Casarão na região central de Sarapuí (SP) foi construído entre 1850 e 1870 João Paulo Netto/Arquivo pessoal Segundo João Paulo, atualmente, quase 80% do imóvel se mantêm intactos desde a construção. Quando é necessário fazer alguma reforma, a família utiliza métodos que preservam a originalidade, como o cal para a pintura e reforçar a amarração das taipas. "Recentemente, fizemos uma reforma grande por conta de alguns problemas que tivemos com a construção. Tudo que é possível manter em relação à originalidade da casa nessa reforma se mantém. Então, o imóvel continua da mesma forma", explica João. LEIA TAMBÉM: Peixoto Gomide: político de Itapetininga deve deixar de ser nome de rua em São Paulo; entenda Resgatado em lixão, cão aguarda há 8 anos por adoção em abrigo de Itapetininga; especialistas alertam para impactos da longa espera Nascido no interior de SP e nomeado pelo Papa Leão XIV: saiba quem é Dom Mário Antonio, novo arcebispo de Aparecida Os móveis dentro do casarão também são registros históricos. Conforme o neto, Francisco sempre gostou de objetos mais antigos e muitos foram adquiridos por ele em viagens aos estados mineiro e baiano. "Pertences que estão na casa também são bem antigos. Eu diria que a família tem esse olhar, e a gente gosta muito de manter isso. Para a cidade também fica muito bonito, porque esse tipo de construção é interessante. Ela atrai, tem um visual muito lindo", analisa. Na época em que perdeu a mãe, Maria Thereza, João foi aconselhado por moradores a derrubar o casarão e construir um imóvel mais novo. Pessoas diziam não entender o motivo que levava a família a manter uma "casa velha". "As pessoas às vezes confundem um pouco esse tipo de imóvel com uma casa velha. Óbvio que dá muito trabalho, não é fácil cuidar desse tipo de imóvel. A gente talvez não tenha uma boa cultura de urbanização e, às vezes, não protege bem esses imóveis, que fazem parte da história, mas para nós é importante", relatou. Além da construção, os móveis também são centenários e adquiridos em viagens pelos estados mineiro e baiano João Paulo Netto/Arquivo pessoal A casa tem paredes com quase 80 centímetros de espessura e pintura em tons de branco e azul, além de portas e janelas características do estilo colonial brasileiro. Há relatos de que pessoas escravizadas teriam vivido no local, mas, segundo João, não há confirmação histórica desta informação. "A gente tem lá algumas coisas disso, mas que vieram de outras cidades, correntes, enfim, alguns objetos que referenciam isso, mas não sei exatamente se isso tem alguma realidade nesse assunto", esclareceu. Casarão com mais de 140 anos está localizado na Rua Quintino Bocaiúva, em Sarapuí (SP) João Paulo Netto/Arquivo pessoal Construído por imigrantes alemães Outro imóvel centenário de Sarapuí, com 126 anos de construção, foi projetado pelo imigrante alemão Frederico Augusto Holtz. Localizado na Rua Doutor Cerqueira César, o casarão funcionou por alguns anos como o Hotel Paulista, oferecendo refeições e hospedagem para viajantes e tropeiros que passavam pela cidade. O prédio também abrigava um armazém, que deu origem à tradicional Loja Holtz. Em 1947, Lázaro Frederico Holtz assumiu a gestão do estabelecimento, permanecendo à frente do negócio até sua morte, em 2010. Atualmente, o local segue sob administração da família e é gerenciado pelos filhos dele. Imóvel foi construído por imigrante alemão e serviu como hotel para visitantes e tropeiros Maria Dolores Holtz/Arquivo pessoal Os irmãos Maria Dolores Holtz e Eduardo Holtz, responsáveis pelo comércio de tecidos que funciona no casarão, contam que fazem parte da quarta geração da família a cuidar do prédio. Segundo eles, todos cresceram ouvindo histórias ligadas ao imóvel e à trajetória da família na cidade. "Representa história e infância. Reunimos a família e fazíamos uma festa. É lembrança dos avós cozinhando para os netos", disse Eduardo. Construído em estilo colonial, o casarão tem cerca de 450 metros quadrados. De acordo com os irmãos, as telhas de barro originais foram moldadas por pessoas escravizadas. Atualmente, as paredes permanecem as mesmas, assim como as portas e janelas da construção. "A gente procura ajustar e consertar. Está conservado, mas não está sendo usado por completo o espaço. Sempre ficamos de olho para deixar em ordem. A gente mora do lado [do casarão], a gente gosta. É nossa história, dá muito orgulho", contou Eduardo. Segundo os irmãos, em Sarapuí nunca houve qualquer discussão sobre demolir o casarão para dar lugar a uma nova construção. Pelo contrário: moradores e visitantes costumam elogiar o prédio e reforçar a importância de manter o espaço preservado. "É um privilégio. A gente fica contente quando vêm pessoas de fora. Elas acham bonito o estilo. A gente conserva e acha legal as pessoas gostarem tanto de um lugar antigo", afirma Maria Dolores. Casarão, construído no estilo colonial, tem cerca de 450 metros quadrados e existe há cerca de 126 anos Maria Dolores Holtz/Arquivo pessoal Os integrantes da família Holtz também afirmam que não têm interesse em iniciar um processo de tombamento do imóvel, preferindo mantê-lo sob os cuidados dos próprios herdeiros. "Representa a história da cidade e dos antepassados. A gente quer conservar para as pessoas conhecerem isso, é um marco", relatam os irmãos. Casa paroquial e igreja Com quase 596 metros quadrados, outro imóvel histórico da cidade foi construído na década de 1910 e, atualmente, serve de residência para os padres da Igreja Nossa Senhora das Dores, na Praça Vicente Mozillo. Ao g1, o pároco Leandro de Almeida Fogaça explicou que o imóvel foi comprado em 6 de janeiro de 1935 pela Mitra Diocesana de Sorocaba, do senhor Carlos Holtz e da senhora Cotinha Holtz. Na época, Sarapuí ainda era distrito do município e comarca de Itapetininga. "A casa paroquial não é apenas uma construção antiga. Ela representa um espaço de memória e de identidade. Por ali passaram sacerdotes, visitantes e muitas histórias que fazem parte da caminhada do povo." Casa paroquial, que serve de moradia para os padres de Sarapuí, foi construída em 1915 Leandro de Almeida Fogaça/Arquivo pessoal O padre ressaltou que, historicamente, a sociedade brasileira passava por um processo de organização das comunidades rurais e de crescimento das pequenas cidades do interior após a abolição da escravidão. "Preservar essa casa significa fazer um mergulho no passado, reconhecendo que o presente que vivemos hoje é fruto da história daqueles que vieram antes de nós", relatou. Para o pároco, cuidar do espaço é um gesto de respeito e gratidão aos antepassados. Segundo ele, a preservação da casa paroquial também representa a valorização da memória e da história da cidade. "Não existe sociedade sem história, assim como não existe ser humano sem memória. A história nos recorda de onde viemos e nos ajuda a compreender melhor o tempo presente." Próxima à casa paroquial está a Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores, construída por pessoas escravizadas em 1832. Em 1844, a capela foi elevada à condição de paróquia e, em 1960, recebeu a instalação do relógio na torre, inaugurado em 12 de dezembro de 1961. "A paróquia é um lugar onde as pessoas se encontram, criam amizade, trabalham juntas e constroem um verdadeiro espírito de família. A Igreja não caminha separada da cidade, mas junto ao povo", reforçou. Além da casa paroquial, a Igreja Matriz também é centenária em Sarapuí (SP) Leandro de Almeida Fogaça/Arquivo pessoal Importância da preservar O professor, pesquisador e arquiteto Igor Chaves, de Itapetininga (SP), explica que os casarões precisam ser preservados, estudados e registrados, principalmente para que as novas gerações possam conhecer e compreender melhor o passado da cidade. "A preservação de prédios históricos é fundamental não apenas por seu valor arquitetônico ou estético, mas sobretudo por aquilo que representam: são testemunhos vivos da história, das memórias coletivas e das formas de vida que moldaram a identidade de nossa cidade", apontou. Casa possui paredões com quase 80 centímetros de largura e pintura em tons de branco e azul, além de portas e janelas condizentes com o estilo João Paulo Netto/Arquivo pessoal Sobre a demolição de casarões históricos, Igor destaca que a prática fere princípios previstos na Constituição. Segundo ele, a legislação brasileira determina a preservação do patrimônio histórico e cultural para garantir que a memória coletiva seja mantida e acessível às futuras gerações. "Portanto, demolir algo não se trata apenas de uma questão de propriedade privada, mas, sim, de responsabilidade social e comunitária." Segundo Igor, construções como a de casarões significam traços da memória. Quando um local desses é preservado, não é somente a construção que está sendo conservada, mas é mantida viva a possibilidade de reconhecer e aprender com o passado. Cidade de Sarapuí, no interior paulista, reúne cerca de 40 casarões antigos preservados distribuídos pela zona urbana e rural Leandro de Almeida Fogaça/Arquivo pessoal Em nota, a Prefeitura de Sarapuí informou que produziu um livreto que reúne a história dos 40 casarões antigos da cidade. Alguns desses imóveis passaram por reformas ao longo dos anos, mas muitos ainda preservam características arquitetônicas originais e a essência histórica das construções. Segundo a prefeitura, parte das propriedades continua com as famílias que as construíram, enquanto outras foram vendidas ao longo do tempo para novos proprietários. Grande parte dessas construções remonta aos séculos XIX e XX. O livreto destaca que uma das primeiras casas do município foi erguida em meados do século XIX, evidenciando a importância desses imóveis para a formação histórica de Sarapuí. "A preservação desses casarões representa a manutenção da memória e da identidade histórica de Sarapuí. Muitas dessas construções estão localizadas nas áreas mais antigas da cidade e remetem ao período em que o município possuía forte relação com o os tropeiros, que contribuiu para o desenvolvimento e a integração da região. Cada imóvel carrega consigo parte da história da cidade e de suas famílias", ressalta a nota. Sobre a possibilidade de visitar os imóveis, a prefeitura aponta que tualmente, a maioria desses casarões é de propriedade privada, sendo utilizados como residências familiares, casas de fim de semana ou até mesmo para locação. Por esse motivo, muitos não estão abertos à visitação turística. Ainda assim, há a possibilidade de que, no futuro, sejam discutidas iniciativas em parceria com os proprietários para valorizar esse patrimônio histórico e fortalecer o turismo cultural no município. *Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/03/13/de-hotel-a-casa-paroquial-conheca-casaroes-centenarios-que-ajudam-a-contar-a-historia-de-sarapui.ghtml


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