Feminicídios deixaram 660 crianças e adolescentes órfãos de mãe no RS em quatro anos, aponta relatório

  • 11/02/2026
(Foto: Reprodução)
Violência contra mulher: como pedir ajuda Um relatório final elaborado por uma comissão da Câmara dos Deputados revela que o Rio Grande do Sul atravessa um dos períodos mais críticos em relação à violência contra mulheres. Em menos de dez meses, duas séries de feminicídios vítimaram 11 mulheres cada, além de deixarem 30 crianças e adolescentes órfãos. Somente em 2025, foram 80 mulheres mortas no estado. No recorte histórico apresentado, ocorreram 1.284 feminicídios no RS entre 2012 e 2025, segundo dados oficiais, com média anual de 91,7 casos. Com uma média de um feminicídio a cada 4 dias e uma tentativa de feminicídio a cada 31 horas, com base nos números oficiais. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O documento afirma que as mortes eram evitáveis e resultam de “falhas graves e persistentes” na rede de proteção pública. ⚠️ Se você ou alguém próximo está enfrentando violência doméstica e familiar no Rio Grande do Sul, existem diversos serviços que podem ajudar. Se a violência está acontecendo neste momento, ligue imediatamente para o 190. A Brigada Militar será acionada e enviada ao local para prestar socorro. Como denunciar violência contra a mulher no RS: veja serviços nas principais cidades do estado Você saberia o que fazer? Experimento testa se população conhece sinal de socorro para mulheres vítimas de violência Páscoa de 2025: 11 feminicídios em 11 dias A primeira onda aconteceu na Semana da Páscoa de 2025, quando 11 mulheres foram assassinadas em 11 dias em cidades de diferentes regiões do estado. As vítimas tinham idades, profissões e histórias diversas, mas compartilhavam um ponto comum: nenhuma estava com medida protetiva ativa no momento do crime. A maioria foi morta dentro de casa, por ex-companheiros ou parceiros atuais, e oito delas morreram esfaqueadas. Ao todo, 15 filhos ficaram órfãos. História se repete O início de 2026 trouxe um cenário quase idêntico: em apenas um mês, o estado registrou 11 novos feminicídios, muitas vezes com características semelhantes às ocorridas no ano anterior. Em parte dos casos, as vítimas até tinham solicitado medidas protetivas, sendo algumas já deferidas. Outras enfrentavam histórico de agressões conhecido pelo sistema de justiça. Somente nessa segunda sequência, mais 15 crianças e adolescentes perderam suas mães. Mulher de 30 anos é morta em São Francisco de Paula Mulher e ex são encontrados mortos em Santa Clara do Sul Bombeira civil de 31 anos é morta a facadas por ex em Guaíba Corpo de mulher que estava desaparecida é encontrado em mata em Canguçu Homem mata ex-companheira a facadas na frente da filha de 14 anos em Porto Alegre Adolescente de 15 anos é morta pelo namorado de 25 em Sapucaia do Sul Mulher é morta a tiros após assinar divórcio em Muitos Capões Mulher é morta a facadas em Santa Cruz do Sul Homem é suspeito de matar companheira a facadas na frente das filhas em Novo Hamburgo Números mostram dimensão da violência O levantamento reúne dados dos últimos anos e revela um cenário persistente de violência de gênero no RS: 421 mulheres foram assassinadas entre 2021 e 2025; 660 crianças e adolescentes ficaram órfãos no mesmo período; mais de 3,5 mil mulheres sobreviveram a tentativas de feminicídio desde 2013; em 2025, o estado registrou 80 feminicídios; os feminicídios tentados mantiveram média de 251/ano nos últimos 5 anos, mas em 2025 houve um salto de 10% sobre 2024, com 264 tentativas; naquele mesmo ano, houve mais de 52 mil ocorrências ligadas à Lei Maria da Penha; Ocorreram 1.284 feminicídios no RS entre 2012 e 2025 Arquivo pessoal Comissão aponta padrão de negligência estatal O relatório afirma que os casos não são exceções isoladas, mas sim resultado de uma estrutura que falha de forma repetida. A Comissão Externa lista problemas como: falta de pessoal e estrutura nas Delegacias da Mulher; cobertura insuficiente da Patrulha Maria da Penha, presente em menos de um quarto dos municípios; baixa aplicação e fiscalização de tornozeleiras eletrônicas, utilizadas em apenas 6% das medidas protetivas; carência de serviços especializados no interior do estado; demora em atendimentos e investigações, agravada pelo déficit de peritos. Segundo o documento, a rede de proteção é “fragmentada, insuficiente e incapaz de responder ao risco real que as mulheres enfrentam”. A comissão destaca que muitas tentativas deixam sequelas físicas e emocionais permanentes e deveriam receber atenção e políticas específicas, algo que não existe hoje. Entre as principais recomendações apresentadas pela Comissão estão: ampliação de Delegacias da Mulher e funcionamento 24h; cobertura total da Patrulha Maria da Penha; expansão do uso de tornozeleiras eletrônicas; criação de Casas da Mulher Brasileira em Porto Alegre e Caxias do Sul; implantação de Centros de Referência em todos os municípios acima de 40 mil habitantes; integração do RS ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, já assinado pela Assembleia Legislativa, mas ainda não pelo governo do estado; aumento do percentual do Fundo Nacional de Segurança Pública destinado ao combate à violência contra a mulher. “Mortes anunciadas” A conclusão da relatoria é categórica: os feminicídios registrados no Rio Grande do Sul nos últimos anos não foram inevitáveis. O documento afirma que muitas das mulheres mortas buscaram ajuda, registraram ocorrências, denunciaram ameaças ou conviviam com agressores já monitorados pelo sistema de justiça. A repetição dos casos em tão pouco tempo, segundo o relatório, expõe a fragilidade das instituições responsáveis por garantir a segurança das mulheres e reforça a necessidade de ações imediatas, integradas e bem financiadas. Para a comissão, somente uma política contínua e articulada, que envolva prevenção, proteção, responsabilização e atendimento, pode impedir que o estado registre novas sequências de feminicídios em tão curto intervalo. A Comissão Externa aponta baixa execução orçamentária para políticas para mulheres no RS. Segundo o relatório, em 2022 estavam previstos R$ 8,3 milhões, mas foram executados R$ 2,8 milhões. Em 2023, de R$ 2,9 milhões, e “nada consta de execução direta”. Em 2024, de R$ 3 milhões, foram executados R$ 197.775. Comissão da Câmara revela ações para frear feminicídios no RS O sinal de socorro foi criado durante a pandemia por uma fundação canadense de apoio às mulheres, para que a vítima peça ajuda sem que o agressor perceba Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/02/11/feminicidios-deixaram-660-criancas-e-adolescentes-orfaos-de-mae-no-rs-em-quatro-anos-aponta-relatorio.ghtml


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