Flórida avança para mudar nome de aeroporto de Palm Beach para o de Trump
19/02/2026
(Foto: Reprodução) O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 6 de fevereiro de 2026
REUTERS/Ken Cedeno
A saga egocêntrica do presidente Donald Trump para rebatizar prédios, espaços públicos e instituições do país com o próprio nome está prestes a obter nova conquista: o Aeroporto Internacional de Palm Beach, na Flórida, que já teve o aval da Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, para a mudança de nome.
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Não por acaso, a medida corre paralela a outro ato inédito. A Organização Trump, empresa dirigida por dois de seus filhos, solicitou o registro da marca para o uso do nome do presidente ou das iniciais DJT em aeroportos do país. A empresa assegura que não tem planos de cobrar taxas e receber royalties ou qualquer tipo de lucro com a mudança de nome. Mas o registro causou estranheza.
“Embora presidentes e autoridades públicas já tenham tido pontos turísticos nomeados em sua homenagem, a empresa privada de um presidente em exercício jamais buscou, na História dos Estados Unidos, direitos de marca registrada antes mesmo da nomeação de um local” afirmou o advogado Josh Gerben, especialista em marcas registradas.
O aeroporto de Palm Beach fica nas imediações da residência de Trump na Flórida, em Mar-a-Lago. O projeto para mudar o nome recebeu 81 votos favoráveis e 30 contrários entre os deputados da Flórida e foi encaminhado ao Senado.
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A homenagem inédita a um presidente em exercício implica custos —cerca de US$ 5,5 milhões (cerca de R$ 28,7 milhões)— que abrangem produção de nova sinalização, atualização de sistemas de tecnologia e reformulação da marca dos equipamentos e uniformes, de acordo com o Condado de Palm Beach.
Esta região da Flórida se desdobra em condecorações ao morador ilustre e atual presidente. No mês passado, um trecho da Southern Boulevard foi rebatizado com o nome de "President Donald J. Trump Boulevard", e contou com a sua presença.
“Adoro o povo da Flórida, adoro toda a região de Palm Beach. Estou aqui há muito tempo, e quero agradecer a todos por estarem aqui. Vou me lembrar deste gesto incrível para o resto da minha vida", comemorou.
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Desde que voltou à Casa Branca, há um ano, Trump vem se esmerando para imprimir sua marca a instituições tradicionais do país. Foi bem-sucedido com o Centro de Artes John Kennedy e o Instituto dos Estados Unidos para a Paz, que passaram a incluir o seu nome.
Relatos de que haveria negociações para fazer o mesmo com o Aeroporto Internacional de Dulles, em Washington, e a Penn Station, em Nova York, em troca da liberação de investimentos, geraram forte reação de democratas. Trump negou esta semana que a ideia de rebatizar a principal estação ferroviária de Nova York tenha partido dele e a atribuiu a proposta a “certos políticos e líderes sindicais”.
Homenagens do tipo ocorrem somente após os presidentes tenham deixado o cargo ou morrido. Foi assim com John Kennedy, Gerald Ford e Ronald Reagan, que dão seus nomes a aeroportos americanos. Contrariando a tradição, Trump tem pressa para receber estes louros em tempo real.
Fachada do Kennedy Center, com nome de Donald Trump inserido no início do letreiro original 'Centro Memorial John F. Kennedy de Artes Cênicas' em 19 de dezembro de 2025.
REUTERS/Kevin Lamarque