Inquérito é aberto para apurar morte de grávida de 18 anos durante parto no interior do Acre
19/08/2026
(Foto: Reprodução) Familiares fazem carreata antes de sepultar Maria Rayssa no interior do Acre
Um inquérito para investigar a morte da estudante Maria Rayssa da Silva Moura, de 18 anos, após o parto no Hospital João Câncio Fernandes, em Sena Madureira, interior do Acre, foi aberto pela Polícia Civil, nessa terça-feira (18). Os familiares fizeram uma carreta antes do enterro da jovem nesta quarta (19).
Ao g1, o delegado Thiago Parente, responsável pela investigação, disse que o prazo inicial para conclusão do inquérito é de 30 dias, podendo ser prorrogado por mais 30, contudo, informou, que o caso deve ter prioridade na delegacia do município.
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Conforme Yanderson Delmiro da Silva, primo de Maria Rayssa, o bebê permanece internado na unidade de saúde sob cuidados especiais. Segundo a família, a criança passa bem e a previsão é que receba alta ainda nesta quarta.
No vídeo gravado por familiares, é possível ver uma a carreata que ocorreu após o velório, em direção ao cemitério: "Olha como minha sobrinha era querida, fora os carros lá atrás, nunca imaginei de estar fazendo um vídeo assim", disse uma familiar durante a gravação.
Polícia Civil abriu inquérito nesta terça-feira (18) para investigar a morte de Maria Rayssa, de 18 anos
Arquivo/Rozeilton Santos
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O corpo de Maria Rayssa foi enterrado na manhã desta quarta, no Cemitério São João Batista, em Sena Madureira. A família acompanhou o sepultamento sob forte comoção e agora aguarda o resultado da investigação para esclarecer as circunstâncias que levaram à morte da jovem.
Ainda na terça-feira (18), após tomar conhecimento da morte, os delegados Thiago Parente e Rêmulo Diniz, acompanhados de um perito criminal, estiveram no hospital para buscar informações sobre o atendimento prestado à jovem.
Investigação
Diniz, que é coordenador da Delegacia de Sena Madureira, ressaltou que ainda não há elementos suficientes para caracterizar se a morte foi um crime ou ainda apontar um possível responsável. O caso é tratado como morte a esclarecer.
"Nós temos que observar se os procedimentos médicos foram devidamente cumpridos ou se houve qualquer tipo de negligência. Isso não pode ser dito de forma alguma, de forma precipitada, uma vez que é uma questão técnica", explicou.
Segundo o delegado, os procedimentos médicos adotados durante o atendimento de Rayssa serão analisados para verificar se houve eventual falha ou negligência.
Para isso, os investigadores solicitaram informações não apenas ao Hospital João Câncio Fernandes, onde ocorreu o parto, mas também às clínicas e unidades de saúde particular que atenderam a jovem durante a gestação.
Família foi ouvida
Os policiais também foram ao velório e conversaram informalmente com familiares. Segundo Diniz, neste primeiro momento, os envolvidos no atendimento ainda devem ser ouvidos na condição de testemunhas ou declarantes, já que ainda não há indicação de autoria de eventual crime.
"Sabemos que há um clamor da família e um clamor público também. É um fato que é um impacto, mas para isso mesmo nós temos que ter todas as precauções e a polícia agir de forma imparcial e técnica", salientou.
Entre os profissionais que devem prestar depoimento estão o obstetra responsável pelo parto. "Vamos começar a fazer as coletas dos depoimentos, também ouvir os médicos, não só o obstetra que realizou o parto, mas aqueles que atenderam também anteriormente e auxiliaram", completou Diniz.
Complicações de eclâmpsia
Conforme Maria Ilma Delmiro da Silva, tia da jovem, a bolsa de Rayssa estourou na madrugada desta terça e ela foi para a maternidade acompanhada da mãe e do marido. No final da manhã, a estudante foi submetida à cirurgia passou por uma cesárea, foi entubada e teve uma eclâmpsia logo em seguida.
"Depois do procedimento, disseram que ela estava bem, mas em seguida deu eclâmpsia e eles entubaram ela. O que matou minha sobrinha foi a entubação, que o médico não sabe fazer aqui em Sena Madureira. Estamos desolados e queremos justiça", afirmou a tia.
Grávida foi acompanhada da mãe para hospital e tirou foto antes de entrar na sala de parto
Arquivo pessoal
Em nota anterior, a Secretaria de Saúde do Estado informou que, após o parto, a paciente apresentou uma convulsão, sendo diagnosticada com eclâmpsia. Com o agravamento do quadro, ela foi entubada.
"A Sesacre informa ainda que os atendimentos, avaliações e condutas realizadas estão registrados no prontuário da paciente, que poderá ser disponibilizado aos familiares, conforme os procedimentos previstos para acesso ao documento", diz parte da nota.
Ainda segundo a tia, Rayssa fez todo pré-natal e não teve problemas na gravidez. Antes de entrar na sala de parto, Rayssa tirou uma foto ao lado da mãe. "Era o sonho dela ser mãe, a casa e o quarto foram reformados para receber a criança e ver essa situação é triste", lamentou a tia.
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