Meninas de 10 a 19 anos são maioria nos atendimentos por transtornos alimentares em Campinas

  • 20/01/2026
(Foto: Reprodução)
Imagem ilustrativa mostra balança, fita métrica e maçã Divulgação Em Campinas (SP), entre 2023 e 2025, as meninas de 10 a 19 anos concentraram a maioria dos atendimentos ambulatoriais por anorexia e bulimia, segundo dados enviados pela Secretaria Municipal de Saúde a pedido do g1. Ao todo, foram 89 consultas em três anos. O grupo representa 27,3% dos registros no período, em comparação a outras faixas etárias. Em seguida, estão as mulheres de 30 a 39 anos, com 23,6% do total de atendimentos. Número de atendimentos por ano, incluindo homens e mulheres de todas as idades (veja por gênero abaixo): 2025: 115 2024: 133 2023: 145 Embora o número de meninas atendidas tenha caído em 2025 – foram 51% a menos em relação ao ano anterior –, o grupo está entre os que mais exigem atenção dos profissionais, que alertam para vulnerabilidades específicas da adolescência. ⚠️ Entenda: os especialistas ouvidos pela reportagem associam o alto índice de diagnósticos desse tipo de transtorno à pressão estética, à cultura da magreza e à influência das redes sociais, especialmente nessa fase da vida. “A adolescência é um grupo de risco para o desenvolvimento de transtorno alimentar, e no meu consultório têm aparecido cada vez mais meninas novas [..] É uma fase muito difícil. Elas entendem que precisam ser de tal forma para serem validadas”, destaca a nutricionista Ana Ribeiro, formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em transtornos alimentares. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias da região de Campinas em tempo real e de graça Atendimentos em números Nos últimos três anos, a rede municipal somou 393 atendimentos de homens e mulheres, de 10 a 79 anos, por transtornos alimentares como anorexia e bulimia. No período, 2025 foi o ano que teve o menor índice: 115, número 13% menor do que em 2024, e 20% a menos do que 2023. As pessoas do gênero feminino predominam entre os atendimentos desde 2023, com 325 – ou 82,7% do total. Já na análise por idade do público masculino, a faixa de 10 a 19 anos também concentra mais atendimentos em relação aos outros grupos, com 26 casos. Veja os gráficos a seguir: Influência das redes sociais A nutricionista Ana Ribeiro afirma que a busca pelo suposto "corpo ideal", ideia comumente associada à magreza, tem impactado diretamente a relação de jovens com a alimentação e com a própria imagem. Além disso, para ela, a exposição a padrões irreais nas redes sociais tem sido um dos principais fatores de risco. A especialista destaca que conteúdos aparentemente inofensivos influenciam negativamente jovens em formação de identidade. “Além de corpos magros e editados, muitas blogueiras postam a rotina de treino e ‘o que eu como em um dia’, muitas vezes com uma quantidade de comida muito pequena e irreal. Isso faz com que as pessoas, principalmente adolescentes, comecem a se comparar”, afirma. A psiquiatra Sara Sgobi, coordenadora da Atenção Secundária da rede municipal, têm a mesma percepção. Ela afirma que o que se observa não é uma mudança no perfil dos pacientes, mas, sim, uma ênfase nos diagnósticos ligados a anorexia nervosa e bulimia entre adolescentes. “Existe uma contribuição das redes sociais. O uso dos filtros exagerados, que criam imagens que não são reais, acabam facilitando, ajudando essas meninas nos seus aspectos de distorção de imagem corporal, na busca de um corpo perfeito que simplesmente não existe”, explica. Além da influência digital, outros fatores também contribuem para o desenvolvimento dos transtornos alimentares. Comentários sobre o corpo feitos por familiares, episódios de bullying, mudanças da puberdade e até referências culturais extremamente magras podem funcionar como gatilhos. “Muitas vezes começa com algum comentário na escola ou dentro de casa, e isso acaba sendo reforçado nas redes sociais”, explica Ana Ribeiro. Diagnóstico e tratamento Como identificar transtornos alimentares e buscar tratamento Sara reforça que o diagnóstico precoce é essencial para reduzir impactos físicos e emocionais provocados por esse tipo de transtorno. Ela alerta para sinais como evitar refeições em família, isolamento social, irritabilidade e mudanças na alimentação. “Começa a acontecer uma evitação de se comer junto com a família, tanto para quem está restringindo quanto para quem está compulsivo. A qualidade dos alimentos, a prática do que o adolescente costuma comer começa a mudar, o comportamento social do adolescente muda., afirma. De acordo com o Ministério da Saúde, geralmente, os responsáveis e as pessoas mais próximas são os que detectam os sintomas. Entenda quais são: Nos casos de anorexia: fazer dietas que se tornam cada vez mais restritivas com o passar do tempo, observação constante das embalagens de produtos e contagem de valor calórico, isolamento para não se alimentar junto da família, comportamento de se pesar e medir o corpo com frequência. Nos casos de bulimia: episódios de compulsão alimentar onde a pessoa passa a comer muito rápido e em grande quantidade, ela se direciona ao banheiro logo após a ingestão desses alimentos para provocar vômito ou após grande ingestão de comida o indivíduo decide fazer um longo período de jejum, além da compra de grandes quantidades de laxantes e diuréticos sem prescrição médica. 🏋️‍♂️ A atividade física excessiva também é uma característica comum tanto nos casos de anorexia quanto nos casos de bulimia. A psiquiatra diz que o tratamento dos transtornos alimentares é complexo e exige acompanhamento de longo prazo. "É muito importante que todas as pessoas envolvidas no tratamento se conversem, mesmo porque o planejamento das ações, ele é em equipe multidisciplinar”, explica. Atendimento no SUS Ainda segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza atendimento para pessoas em sofrimento psíquico por meio dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada para o cuidado "e desempenha papel fundamental na abordagem dos transtornos mentais, principalmente os leves e moderados". *Estagiária sob supervisão de Yasmin Castro. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/01/20/meninas-de-10-a-19-anos-sao-maioria-nos-atendimentos-por-transtornos-alimentares-em-campinas.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. saudade da minha vida

gustavo lima

top2
2. uai

zé neto e cristiano

top3
3. rancorosa

henrique e juliano

top4
4. eu e voce

jorge e matheus

top5
5. solteirou

luan santana

Anunciantes