MPT aponta falta de registro e treinamento de segurança para trabalhadores mortos em desabamento em Campo Grande

  • 08/09/2026
(Foto: Reprodução)
Vídeo mostra desabamento que matou dois trabalhadores em Campo Grande Os dois trabalhadores que morreram no desabamento de uma estrutura de pré-moldados no bairro Aero Rancho, em Campo Grande, não estavam registrados em carteira e não haviam passado pelo processo de integração de segurança, segundo o procurador do Trabalho Paulo Douglas de Moraes. As vítimas, Willian Douglas Souza Cabral, de 39 anos, e Joel da Silva Oliveira, de 40, morreram no local. Outros dois trabalhadores ficaram feridos. A reportagem não obteve retorno sobre o estado de saúde das outras vítimas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Eles trabalhavam na construção de um supermercado na Avenida Rachel de Queiroz quando a estrutura desabou, na tarde de sexta-feira (4). O procurador e fiscais do Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS) vistoriaram o local do acidente na tarde desta terça-feira (8). Conforme Paulo Douglas, o MPT-MS abriu uma apuração porque o desabamento ocorreu em um ambiente de trabalho e deixou dois trabalhadores mortos. A investigação ainda está em fase inicial, e a dinâmica do acidente depende de laudos técnicos e do relatório da fiscalização trabalhista. Estrutura que desabou em obra no Aero Rancho. Diogo Nolasco. Apesar disso, o MPT já identificou irregularidades trabalhistas envolvendo os dois trabalhadores mortos. Segundo o procurador, eles não estavam registrados em carteira e não haviam passado pelo processo de integração, procedimento que deveria apresentar aos funcionários os riscos existentes no ambiente de trabalho. “Isso não salvaria a vida deles, mas protegeria, digamos assim, as compensações que o sistema previdenciário traz para guarnecer os familiares, quem fica. E nem isso foi observado. Esses trabalhadores não foram submetidos à integração, processo de integração. Ou seja, eles não tiveram a possibilidade, a oportunidade de conhecer os riscos aos quais eles estavam expostos nesse ambiente. E veja, não estou antecipando aqui que essa questão por si só tenha tido o condão de levar ao resultado morte. Mas são aspectos que já foram levantados que apontam para responsabilização da empresa.” Paulo Douglas ressaltou que essas irregularidades, isoladamente, não permitem afirmar que foram responsáveis pelas mortes, mas podem apontar para falhas da empresa e eventual responsabilização. “Então, o procedimento junto ao Ministério Público do Trabalho visa basicamente dois objetivos: que nós tomemos medidas para frente, para que situações como essa não voltem a ocorrer, e buscar responsabilização daqueles que, mediante a sua devida falta de diligência, acabam não buscando e não se protegendo desses trabalhadores”, completou. Vendaval Sobre o desabamento, o procurador mencionou a possibilidade de um vendaval ter comprometido a estrutura, mas afirmou que ainda não é possível confirmar essa hipótese. Ele também destacou que o fato de a estrutura ter ruído antes mesmo da instalação da carga do telhado levanta dúvidas sobre a qualidade do material pré-moldado utilizado. A empresa responsável pela construção é a HB Pré-Fabricados, de Sidrolândia. Em nota, a empresa lamentou o ocorrido e informou que as causas do acidente serão investigadas. “A gente vê claramente que possivelmente um vendaval acabou comprometendo a estrutura. Algo bastante surpreendente, porque ainda não havia sequer carga de telhado sobre essa estrutura. O que implica dizer que o vento não deveria ter provocado esse resultado. Isso gera dúvidas a respeito da qualidade do próprio pré-moldado que estava aqui instalado. Mas essas respostas virão com o laudo pericial. O que já temos, como já disse, são certezas já com relação à falta de boas práticas da empresa, que é uma empresa de Hidrolândia, empresa antiga, não é nova no mercado. E, obviamente, mesmo que nova fosse, deveria saber quais são as suas obrigações com relação à segurança do trabalhador. Isso não foi observado aqui”, afirmou Paulo Douglas. Medidas de segurança O MPT também vai analisar se os equipamentos de proteção individual (EPIs) eram adequados aos riscos existentes e se outras medidas de segurança, como a linha de vida, foram corretamente adotadas. “Nós vimos que a corda, que teoricamente tem que estar em um ponto fixo, só que aqui nós estamos em uma situação em que a estrutura ruiu. Então, esse trabalho do entendimento da causa dessa situação está sendo feito agora. Seria bastante leviano, da minha parte, antecipar questões técnicas que virão no relatório. [...] As vigas caíram, inclusive, sobre dois caminhões, três, na verdade. Um deles esmagou toda a cabine do caminhão. Então, são situações nas quais, se esse trabalhador estivesse ali dentro daquele caminhão, não existiria EPI capaz de prevenir aquela situação e o resultado morte dele”, afirmou. A investigação poderá resultar em responsabilizações administrativas e trabalhistas. Conforme os elementos que forem encontrados pela Polícia Civil, também poderá haver consequências na esfera criminal. O MPT ainda pretende avaliar pedidos de indenização para os familiares dos trabalhadores mortos e, eventualmente, para trabalhadores que sobreviveram, mas que teriam sido expostos a riscos. “O próprio resultado morte já demonstra que houve falha. Nosso desafio agora é identificar todas essas falhas. Porém, uma delas é exatamente a falta de informação do próprio trabalhador quanto aos riscos a que ele está exposto. E isso aconteceu aqui. Começou pela falta do registro e começou também pela falta de submissão desses trabalhadores ao processo de integração”, concluiu Paulo Douglas. Uma análise preliminar do Corpo de Bombeiros apontou que o andamento da obra ocorria regularmente, o que também foi confirmado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS). A Polícia Militar e perícia da Polícia Civil também atenderam a ocorrência no dia do acidente. O que disse a HB Fabricados "No momento, ainda não temos informações precisas. A perícia está fazendo os levantamentos das possíveis causas deste acidente. Neste momento, a empresa está dando assistência aos feridos e aos familiares dos mortos. Lamentamos o ocorrido e, tão logo tenhamos uma posição real, nos pronunciaremos." Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/09/08/mpt-aponta-falta-de-registro-e-treinamento-de-seguranca-para-trabalhadores-mortos-em-desabamento-em-campo-grande.ghtml


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