O que aconteceu na casa de Veronica Costa com o ex? Veja as versões da acusação e da defesa
27/09/2026
(Foto: Reprodução) Veronica Costa é transferida para presídio no Rio de Janeiro
A prisão de Veronica Costa, na última quinta-feira (24), pela condenação por tortura contra o então marido teve uma disputa de versões sobre o que aconteceu entre os dias 21 e 22 de fevereiro de 2011, na casa da família, em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
Segundo a acusação, Veronica e 4 parentes mantiveram Márcio Costa, então marido dela, em cárcere privado e o submeteram a uma sessão de tortura que durou cerca de 20 horas.
A defesa, por outro lado, sustentou durante o processo que Márcio chegou à residência já ferido, sob efeito de drogas e em surto. Segundo essa versão, nunca houve tortura, amarração ou agressões, e os parentes foram chamados apenas para ajudar a controlar uma situação de violência doméstica.
Ao analisar o caso, a Justiça considerou mais consistente a versão apresentada por Márcio. A condenação foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Verônica Costa e o ex, Márcio Costa
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O que diz a acusação
De acordo com a denúncia e os depoimentos de Márcio Costa, o casal voltou de uma viagem a Búzios em 20 de fevereiro de 2011.
Na noite seguinte, após participar de uma reunião política no Centro do Rio, Márcio e Veronica chegaram à residência em Vargem Grande.
Segundo Márcio, pouco depois de entrar no quarto do casal, Veronica teria oferecido um copo de suco de laranja. Desconfiado, ele descartou a bebida na pia, sem que a mulher visse.
Ainda de acordo com o relato, parentes de Veronica entraram na suíte pela porta e até pela varanda e o imobilizaram. Márcio afirmou que foi amarrado, vendado, amordaçado e mantido sob vigilância.
A acusação sustenta que, durante horas, ele foi agredido e submetido a diferentes formas de violência. Entre elas, afogamentos no vaso sanitário e na banheira, aplicação de spray de inseticida no rosto, ameaças de morte e banho de gasolina no corpo.
Segundo a denúncia, os agressores queriam que ele confessasse supostos desvios de dinheiro de campanha eleitoral e cobravam explicações sobre uma possível traição.
Márcio afirmou que só conseguiu escapar no fim da tarde de 22 de fevereiro, quando percebeu uma distração dos envolvidos. Ele pulou o muro da casa e pediu ajuda aos vizinhos.
A partir daí, acionou a polícia, foi encaminhado para atendimento médico e registrou ocorrência na 42ª DP (Recreio).
O que diz a defesa
Segundo Veronica, ela e Márcio participaram de uma reunião política no Centro do Rio na tarde de 21 de fevereiro e voltaram para casa no início da noite.
Ela afirmou que foi descansar e que Márcio só retornou horas depois.
O relato sustenta que ele chegou à residência alterado, agressivo e com ferimentos já visíveis pelo corpo. A defesa atribuiu esse estado ao suposto consumo de drogas e a um quadro de paranoia.
Segundo Veronica, Márcio passou a exigir R$ 100 mil para quitar uma dívida urgente e ameaçou matá-la caso não conseguisse o dinheiro.
Com medo, ela afirmou ter telefonado para familiares pedindo socorro.
De acordo com a defesa, a irmã, o cunhado, o irmão e o padrasto de Veronica foram até a residência apenas para dar apoio e evitar uma agressão. A versão nega que Márcio tenha sido amarrado, agredido ou mantido em cárcere.
A defesa também sustentou que os familiares ajudaram a cuidar dele durante a madrugada e a manhã seguinte, chegando a comprar medicamentos e pomadas para tratar ferimentos que ele já apresentava.
Segundo esse relato, Márcio permaneceu livre dentro da casa e fugiu porque acreditava, de forma paranoica, estar sendo perseguido.
Horas depois, Veronica afirmou ter descoberto que o então marido a acusava de tortura.
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As principais divergências
Horário de chegada em casa em 21 de fevereiro
Versão de Márcio: chegaram juntos da reunião política por volta das 21h, e assinaram a correspondência na portaria.
Versão de Veronica: afirma que chegou por volta das 19h e dormiu; Márcio chegou sozinho entre 23h30 e 0h.
Estado físico de Márcio ao chegar
Versão de Márcio: chegou ileso, sem qualquer ferimento ou marca no corpo.
Versão de Veronica: chegou em casa já machucado e sangrando, com assaduras e marcas de coronhadas.
Uso de substâncias e estado de Márcio
Versão de Márcio: estava lúcido e nega uso de drogas; exames toxicológicos resultaram negativos.
Versão de Veronica: sustenta que Márcio estava alterado ou eufórico pelo consumo de cocaína ou ecstasy.
Chegada dos parentes de Veronica
Versão de Márcio: parentes invadiram a suíte com cordas, correntes e cadeados a mando de Veronica.
Versão de Veronica: foram chamados por Veronica em desespero por volta da meia-noite para dar “apoio moral” e contê-lo.
Motivo da discussão
Versão de Márcio: exigiam confissão sobre desvios de verbas de campanha e supostas amantes.
Versão de Veronica: Márcio exigia R$ 100 mil para pagar dívidas urgentes com traficantes.
Agressões e tortura
Versão de Márcio: foi amarrado, levou socos, afogamentos no vaso sanitário, spray no rosto e banho de gasolina sob ameaça de fogo.
Versão de Veronica: nega qualquer agressão, amarração ou uso de gasolina; diz que deram banho nele e aplicaram pomada.
A fuga no dia seguinte
Versão de Márcio: fugiu pulando o muro do vizinho em desespero para não ser morto, após ter as mãos desamarradas.
Versão de Veronica: Márcio pulou o muro em meio a um delírio paranoico de perseguição, pois acreditava que a casa estava cercada
Bruno Chaves Ribeiro, Veronica Costa, Tatiane Chaves Ribeiro e e Bruno Marcelo Bahia
Reprodução
O que a Justiça concluiu
Ao longo dos julgamentos, os tribunais entenderam que a versão apresentada por Márcio tinha mais respaldo nas provas reunidas durante a investigação e o processo.
As decisões mencionaram, entre outros elementos, o laudo do Instituto Médico-Legal (IML), depoimentos de testemunhas e exames realizados durante a apuração.
Com base nessas conclusões, Veronica Costa foi condenada definitivamente a 10 anos e 8 meses de prisão por tortura. A pena foi mantida pelas instâncias superiores e o processo transitou em julgado em 2026.