Passo a passo: veja como enfermeiro matou três pacientes com injeções de cloreto de sódio e desinfetante, segundo perícia

  • 27/01/2026
(Foto: Reprodução)
Passo a passo: veja como enfermeiro matou três pacientes no DF A reconstituição pericial, obtida pelo Fantástico, revelou, passo a passo, como o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, provocou a morte de três pacientes no Hospital Anchieta, em novembro. A investigação mostra que o profissional utilizou cloreto de potássio e até mesmo desinfetante hospitalar, aplicado diretamente na corrente sanguínea das vítimas. A seguir, veja minuto a minuto como ocorreram os crimes, segundo a perícia. Manhã de 17 de novembro Paciente 1: Miranilde Pereira da Silva, 75 anos Internada por causa de uma constipação, Miranilde estava consciente e conversando com a família no início da manhã. Pouco depois: • 1º passo — Acesso ao sistema com senha de médicos ausentes Câmeras registram Marcos Vinícius usando senhas de médicos que não estavam no hospital para registrar a prescrição de um medicamento não indicado para a paciente: cloreto de potássio. 2º passo — Primeira aplicação O técnico vai à farmácia, retira o medicamento, retorna ao leito e injeta a substância. Segundos depois, Miranilde sofre parada cardíaca. A equipe consegue reanimá-la. 3º passo — Segunda aplicação Cerca de 40 minutos depois, Marcos Vinícius volta ao leito e aplica novamente a substância. A paciente entra em nova parada cardíaca — e é salva pela equipe. Início da tarde Paciente 2: João Clemente Pereira, 63 anos João estava internado havia um mês, após exames apontarem um hematoma subdural. Segundo a perícia: 4º passo — Injeção em João Clemente Horas após atacar Miranilde, Marcos Vinícius aplica cloreto de potássio no paciente. João sofre parada cardíaca, mas é reanimado. Final da tarde Pacientes 1 e 2 novamente 5º passo — Terceira aplicação em Miranilde O técnico retorna ao leito de Miranilde e realiza uma terceira aplicação, causando outra parada cardíaca. A equipe salva a paciente pela terceira vez. 6º passo — Desinfetante na veia Na sequência mais grave, Marcos Vinícius injeta desinfetante hospitalar diretamente na veia da paciente, diante das técnicas Marcela e Amanda. Após o produto químico, Miranilde sofre a quarta parada cardíaca. O técnico injeta desinfetante novamente. Miranilde morre minutos depois. Noite de 17 de novembro e madrugada do dia 18 Paciente 2: João Clemente novamente Segundo o laudo: 7º passo — Novas injeções O técnico aplica mais duas doses de cloreto de potássio em João e, depois, desinfetante. João morre na madrugada do dia 18. 18 de novembro Paciente 3: Marcos Raimundo Moreira, carteiro O terceiro paciente, internado com suspeita de pancreatite, não apresentava problemas cardíacos. Ainda assim: 8º passo — Paradas inexplicáveis Ele sofre uma primeira parada e é intubado. Segundo a polícia, uma nova parada ocorre em 1º de dezembro, após aplicação feita por Marcos Vinícius. Ele não resiste. 'Eu pensava que ele estava salvando a minha mãe, mas estava matando ela', diz filha que viu enfermeiro injetar desinfetante em paciente Investigação O hospital abriu uma sindicância para investigar o que aconteceu no dia 17 de novembro, quando dois pacientes tiveram paradas cardíacas à tarde e morreram horas depois. A sindicância apontou que as mortes tinham relação direta com dois técnicos de enfermagem: Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos. Dias depois, a apuração interna identificou a presença de uma terceira pessoa nos dias das mortes: a técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos. “Ele, toda vez que injetou alguma medicação na veia dos pacientes, em segundos elas apresentaram paradas cardíacas”, diz o delegado Wislley Salomão. Além da medicação, o técnico injetou uma segunda substância: um desinfetante. Até então, a polícia acreditava que Marcos Vinicius havia aplicado desinfetante apenas em Miranilde, que ocupava o leito 24. Mas, ao reanalisar as imagens do leito 25, os peritos descobriram que ele também injetou o produto em João Clemente. Cada leito da UTI é monitorado por uma câmera de segurança. “A consequência disso é um choque circulatório, ou seja, uma pressão muito baixa para esses pacientes, consequentemente uma parada cardíaca imediata”, afirma o presidente da Associação de Medicina Intensivista Brasileira, Alexandre Amaral. Prisões O técnico está preso temporariamente na carceragem do complexo da Polícia Civil do Distrito Federal. Em depoimento, primeiro negou os crimes, mas depois foi confrontado com as imagens das câmeras da UTI e admitiu as mortes. “No depoimento, ele foi uma pessoa que não demonstrou emoção. Ele alegou que teria praticado os crimes porque o hospital estava muito movimentado. Como essa justificativa não é plausível, ele deu uma segunda justificativa, falando que estaria aliviando a dor dos pacientes. Isso também não é uma motivação. Então nós precisamos aprofundar para saber o real motivo que fez com que ele e essas duas técnicas cometessem esse crime”, diz Salomão. As técnicas Marcela e Amanda foram levadas para a penitenciária feminina. “As duas presenciam o técnico injetando tanto a medicação quanto o produto diretamente na veia dos pacientes e não fizeram nada para impedir aquele resultado”, afirma o delegado. Em nota, a defesa de Marcos Vinicius não negou a acusação, mas informou que vai se manifestar apenas no inquérito, que corre sob sigilo. A defesa de Marcela da Silva afirma que ela lamenta o que aconteceu com as vítimas e que a dignidade dela e a verdade serão restabelecidas no processo. O advogado de Amanda de Sousa disse que ela e Marcos Vinicius tiveram um relacionamento. “Ela se sente assim: manipulada por ele. E isso não quer dizer que ela tenha cooperado em nada com ele. Ela diz manipulada porque ela teve um relacionamento com ele”, afirma o advogado Liomar Santos Torres. “Nega participação e nega as acusações, e nós vamos provar isso ao final do processo.” Em nota, o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal afirmou estar preocupado com a repercussão do caso e disse que generalizações prejudicam uma categoria formada por profissionais éticos e comprometidos com a vida. Já o Hospital Anchieta afirmou que "se solidariza com os familiares das vítimas e repudia veementemente os atos criminosos investigados". O hospital disse ainda que os atos foram conduta individual de criminosos, praticada à revelia do estabelecimento, dos valores da medicina e da assistência em saúde, rapidamente identificada, investigada e neutralizada, com o imediato acionamento das autoridades competentes. O técnico de enfermagem Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo TV Globo/Reprodução Veja a reportagem completa no vídeo abaixo: Mortes no hospital no DF: Fantástico teve acesso ao relatório da perícia Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. 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FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/01/27/passo-a-passo-veja-como-enfermeiro-matou-tres-pacientes-com-injecoes-de-cloreto-de-sodio-e-desinfetante-segundo-pericia.ghtml


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