Peritos da PF usam equipamento que quebra senha mesmo com celular desligado; acesso é a todo conteúdo, o que causa pânico em Brasília
16/01/2026
(Foto: Reprodução) Peritos da PF usam equipamento que quebra senha mesmo com celular desligado
O pânico que tomou conta de Brasília em relação aos celulares apreendidos na operação do Banco Master tem uma razão tecnológica específica: a Polícia Federal é o único órgão com equipamento capaz de acessar o conteúdo de um aparelho mesmo que ele esteja sem senha e desligado.
Enquanto outras polícias dispõem de ferramentas para desbloquear telas, a extração de dados de um telefone desligado é uma barreira técnica muito superior, que apenas a perícia da PF consegue transpor hoje.
Para realizar esse procedimento com segurança, os peritos utilizam o conceito de física conhecido como "Gaiola de Faraday". Trata-se de uma estrutura metálica (que pode ser uma caixa ou uma bolsa especial) que bloqueia a entrada e saída de ondas eletromagnéticas.
O procedimento é vital porque a extração precisa ser feita sem que o aparelho se conecte a nenhuma rede (Wi-Fi ou dados móveis). Se o telefone entrasse em rede ao ser ligado, o conteúdo poderia ser apagado remotamente por quem detém o controle da conta. Dentro da "gaiola", os peritos manipulam o dispositivo isolado do mundo exterior, garantindo a integridade da prova.
Por que o pânico?
O temor em Brasília se justifica pelo perfil dos alvos e pela abrangência da perícia. Estão em posse da Justiça os telefones de Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), de seu cunhado e do investidor Nelson Tanure — figuras com trânsito intenso no mundo político.
A tecnologia da PF não permite meio-termo: ou se extrai tudo, ou nada. Segundo a apuração do blog, os peritos "baixam" o conteúdo integral do dispositivo para depois analisá-lo. Isso significa que conversas, fotos, e-mails e registros antigos, mesmo que não relacionados diretamente ao caso, estarão expostos aos investigadores. É essa devassa total em aparelhos de figuras tão conectadas que explica o clima de terror na capital.
Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025
Rovena Rosa/Agência Brasil