Sesap investiga cinco surtos de ciguatera no RN; veja orientações
23/01/2026
(Foto: Reprodução) RN registra cinco surtos de intoxicação por ciguatera
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) divulgou nesta sexta-feira (23) que investiga cinco surtos de ciguatera no Rio Grande do Norte. De acordo com a pasta, os casos estão em fase de investigação epidemiológica e envolveram o total de 36 pessoas. Informações de quando e onde ocorreram os casos não foram divulgados.
👉 A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados com toxinas produzidas por microalgas que se proliferam em recifes de corais tropicais e subtropicais. Os sintomas variam de enjoos a neurológicos. Não há tratamento específico para a ciguatera (entenda mais abaixo).
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As autoridades sanitárias já haviam explicado anteriormente que é considerado surto quando mais de dois indivíduos em um mesmo caso de possível contaminação apresentam sintomas. Neste mês de janeiro, um caso também era investigado em Touros.
O primeiro surto no estado foi registrado em 2022. Desde lá, foram 77 casos notificados de intoxicação -- abrangendo surtos confirmados e eventos ainda em investigação --, o que, segundo a Sesap, "evidencia a presença e circulação da ciguatera no estado do Rio Grande do Norte".
Por conta das novas investigações, a pasta recomendou o não consumo do peixe arabaiana (veja outros peixes que podem ter a toxina mais abaixo).
"É importante destacar que a Sesap vem monitorando esses surtos e recomenda o não consumo do peixe arabaiana. Isso se deve pela toxina que esse peixe acumula com o passar do tempo", explicou a coordenadora de vigilância em saúde do RN, Diana Rêgo.
"Queremos tranquilizar a população em relação a esse monitoramento e reafirmar a vigilância pela Sesap quanto a ciguatoxinas no nosso litoral", completou.
A pasta também emitiu nesta quinta uma nota técnica para orientar profissionais de saúde, população em geral, pescadores, comerciantes e serviços de alimentação quanto à prevenção de possíveis casos de intoxicação por ciguatera.
Suspeita de ciguatera é apurada após intoxicação alimentar em Touros
Reprodução/Inter TV Cabugi
Histórico de casos
De acordo com a Sesap, entre fevereiro e maio do ano passado, três surtos de ciguatera foram registrados no Rio Grande do Norte, com 18 pessoas expostas. Os casos estavam associados ao consumo de arabaiana, bicuda e dourado.
O primeiro surto no estado foi registrado em 2022, acometendo dez pessoas de um mesmo núcleo familiar, associado ao consumo do peixe popularmente conhecido como bicuda (barracuda).
🐟 Desde o primeiro caso, foram registrados episódios envolvendo diferentes espécies de peixes, segundo a Sesap, com destaque para barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, arabaiana e dourado -- incluindo confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina caribenha em algumas amostras analisadas.
Ciguatera
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas. Essas toxinas estão presentes em microalgas invisíveis a olho nu.
Peixes pequenos comem essas algas e acabam passando a toxina para os peixes maiores e carnívoros.
Quando o ser humano consome um desses peixes de médio ou grande porte, a intoxicação acontece, podendo causar sintomas que variam de enjoos a problemas neurológicos.
A Sesap reforça ainda que as ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por métodos convencionais de cozimento, congelamento, salga e defumação. Uma vez presente no pescado, a toxina permanece ativa mesmo após preparo e digestão. As maiores concentrações das toxinas estão presentes na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.
Sintomas da ciguatera
Segundo a Sesap, os principais sinais e sintomas da ciguatera aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por:
dor abdominal;
náuseas;
vômitos;
diarreia;
dores de cabeça;
cãibras;
coceira intensa;
fraqueza muscular;
visão turva; e
gosto metálico na boca;
Os sintomas podem persistir por semanas ou meses.
A Sesap informou ainda que não existe tratamento específico ou antídoto para a ciguatera.
"O manejo baseia-se em medidas de suporte e tratamento sintomático, incluindo hidratação, analgesia, controle de náuseas e acompanhamento clínico", informou a pasta.
Recomendações à população
As principais recomendações da Sesap à população são:
procurar imediatamente os serviços de saúde diante de sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas;
identificar a espécie consumida e preservar sobras do pescado, acondicionadas e congeladas, para posterior coleta pela Vigilância Sanitária;
evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação por Ciguatera, especialmente aqueles de procedência desconhecida.
📞O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) também pode ser acionado em caso de dúvidas sobre a condução do caso. O Ciatox funciona em regime de plantão 24 horas por meio dos telefones 0800 281 7005 | WhatsApp (84) 98883-9155.
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